BIBLIOTECA ITINERANTE O BRASIL COM S

“Biblioteca é mais que coleção de livros, senhor dicionário. É porta, é janela, é por onde a luz bate e não parte mais. Abre-se um livro e o nariz queima com a poeira do sertão, afoga com a ressaca do mar. Ressaca pode ser nos olhos, Capitu, mas pode também ser a da costura, do fio que toca no pano de Leonilson. Biblioteca é terra quase mística, terra de ninguém e todos. Haroldo de Campos e suas palavras de galáxia ombro a ombro com os malandros de Roberto DaMatta.

E biblioteca, senhor dicionário, não precisar ficar parada não. Ela pode andar e voar por aí. O Brasil com S costura pezinhos e asas nos livros de seu acervo de pesquisa e os leva para passear com o projeto Biblioteca Itinerante.

Ana Luiza Gomes e a Mayra Fonseca tiveram uma brilhante ideia: Se folhear os livros em suas pesquisas dava tanto prazer e conhecimento, porque não levar o acervo para lugares onde as pessoas também pudessem desfrutar deles?

E a primeira parada da Biblioteca Itinerante não podia ser mais brasileira. Roda cadeira pra lá, ao som da tesoura, chuva de cabelo no chão do salão Retrozaria. O dono, Charles, já é ele próprio um pesquisador desse Brasil imensidão. Conhece lugar que não está livro, podia ser ele um livros de lugares. Então, como é dele, como é do brasileiro, abriga. Nas prateleiras brancas de seu salão a Biblioteca Itinerante aporta.

Para consultar os livros, é só ligar e marcar uma visita. Sente-se, leia, corte o cabelo. Guardando os livros e fazendo com que eles sosseguem um pouco, 4 vasinhos de barro suculentas brasileiras, criações de Marina Coutinho em seu projeto DaHorta. Que gostoso, é Brasil em toda parte, é Brasil de toda a natureza.

São Paulo – e logo menos outros lugares – ganha uma biblioteca voadora, itinerante, migratória. Como pássaros os livros vão fazer ninho onde possam ser vistos, manuseados, lidos, queridos. Como todos os livros devem ser.”

Charles Motta, Ana Luiza Gomes, Mayra Fonseca e Marina Coutinho.

O Brasil Com S, meu projeto com Mayra Fonseca, busca estimular o autoconhecimento do Brasil. Por isso, um dos nossos objetivos é levar nossas pesquisas para além do nosso site, para ações como a que inauguramos hoje: nossa Biblioteca Itinerante. São cerca de 40 títulos que garimpamos em nossas pesquisas disponíveis para leitura em cafés, espaços culturais, galerias, espaços de trabalho compartilhados, etc. O primeiro local a nos receber é o salão de Charles Motta, na Al. Itu, 1079. Até junho você poderá ir lá e consultar os livros e aproveitar para ouvir os vinis deliciosos de música brasileira do Charles e puxá-lo para uma prosa sobre lugares que você desconhece no Brasil. Para saber mais, clica lá: obrasilcoms.com.br/biblioteca-itinerante

Quem escreve esse belo texto-presente para nosso projeto é a escritora Cecília Garcia. Obrigado Ceci, por todo carinho. Obrigado a todos que abraçam e abrigam O Brasil Com S <3

 

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Rumo ao décimo endereço

Pequenas notas sobre a busca de um lugar para chamar de meu.

- Oi, desculpe incomodar a Senhora, mas estou procurando apto para alugar e eu amo esse prédio. Amo justamente pelas flores da escada. Passo aqui e sorrio sempre!
- Menina, não é aquela árvore ali nunca tinha dado flores. Anos sem flores. Mas ai essa semana surgiu. Eu já ia desistir porque a prefeitura fica no meu pé com essa árvore…mas olha só que lindeza.
- De fato. Linda. Mas se a senhora cuida com carinho, uma hora dá flores.
- Flores atraem meninas lindas como você, por aqui, procurando apto. Adoraria que você morasse aqui com a gente.

Ruborizo. Eu também Dona Mirra, a síndica mais doce num amargo mundo imobiliário. Uma hora dá flores.

- Olá, estou procurando aptos para alugar na região e adorei esse prédio, você sabe se existe algum para alugar?
- Olá! Entre, fique a vontade. Aqui eu moro em dois, que comprei e fiz um duplex. Do outro lado já tem donos também que moram lá. O que você busca? Tenho uma amiga que mora num vila e sabe de uma casa, deixa eu pegar o contato dela. Entrem, vejam o apto, sentem-se aqui.
- Poxa, que apto lindo o seu e não se escuta um barulho de carros na rua. Quantos quadros incríveis, quantas obras, são de amigos seus?
- Sim, dou aula de inglês para vários artistas. Você conhece a Cinthia Marcelle?
- Sim, eu trabalho num site que faz perfil de jovens artistas brasileiros, conheço bem o trabalho dela.
- Pois é, tem vários artistas como ela aqui.
- Acho que não encontrei meu apto ainda, mas já fiz um amigo, ehm? Vamos trocar figurinhas.
- Sim, me ache no facebook, vou ver com minha amiga sobre aptos para você!

Na saída, notei, nasciam rosas brancas na porta de entrada.

Era uma vez uma mulher que morava em Paris com o marido e dois filhos. Todo dia ela passava na frente de uma casa linda e se perguntava quem morava ali. Um belo dia, decidiu deixar um recado. “olá, passo aqui todo dia e gostaria de saber se alguém mora aqui. Gosto muito dessa casa e gostaria de alugar”. No mesmo dia recebeu uma ligação. Uma velhinha morava ali, estava com câncer e se arriscou a fazer uma proposta à mulher. “Cuide de mim que eu passo essa casa para o seu nome quando eu morrer”. Se mudou com os maridos e filhos e cuidou da velhinha dois anos. Herdou sua casa em Paris.

Das coisas que escuto na minha busca por uma casa.

- ei mãe, conseguiu descansar?
- filha, andei a tarde toda olhando apartamentos para você!
- nossa mãe, nesse calor?!
- menina, conheci uma senhorinha, tipo Dona Elda (melhor vizinha que ja tive na vida, doceira tocava piano todos os sabados e me levava pastel frito no meio da tarde de domingo). Ela tava alugando um apto enorme, disse que faz desconto pra gente!
- uau mãe! Mas deve ser caro entao ne? Enorme…
- tô de olho em um predinho, que não tinha porteiro, mas eu vi um pedreiro saindo e logo percebi que ele devia ta fazendo uma reforma ali, fiquei conversando com ele…me passou o nome da proprietaria! Vamos ligar amanha?

(filha de peixe, peixinho é)

2 Comentários | Categoria(s): leituras

“Sentimo-nos cegos”

Eu acreditava que o Brasil existia. Ele foi lá ver se era só lenda.

Conheci o trabalho do artista Ivan Grilo nas minhas primeiras pesquisas para O Brasil Com S. Jamais imaginava que um ano depois estaria a caminho de Itatiba, visitando seu atelier. Ivan é leitor do A Pattern. Não me perguntem como ele chegou aqui. Ele me disse no dia que postei algumas imagens do seu site: “Opa! Meu trabalho entre as referências visuais que pesquiso diariamente”. Surpresa, tratei de acompanhar a sua carreira deslanchar.


Ivan é filho de Ivan – ele vai me pedir pra cortar essa parte. Mas eu peguei a mania dele. Enquanto ele redescobre acervos de museus, eu descubro suas histórias em uma parede cheia de fotos de família. Que ele guarda com cuidado, como o território que de poucos deve ser.

A estrada até Itatiba é importante. Sair de São Paulo é essencial para conhecer seu trabalho. Abrir a porta de seu atelier é saber que Ivan, o pai, frequentou aquela casa muito antes de Ivan, o filho, alugá-la para visitar memórias. Senti como se entrasse em sua obra.

Por entre fotos e trabalhos, em frente a parede repleta de folhas de livros amareladas pelo tempo, frases soltas coladas. Ivan se arrisca a recortar frases de músicas e de leituras para montar os títulos de suas obras. Na mesa de cabeceira, Walter Hugo Mãe. “Nunca termino de ler um livro”, inacaba a frase.

É da palavra que surge um desafio para desenvolver seus trabalhos mais recentes. A oralidade.

Dessa vez, Ivan não foi atrás de um objeto físico, como os preciosos cavaletes de Lina Bo Bardi que utilizou na exposição Bienal Internacional de Fotografia no MASP em 2013. Foi tatear uma lenda sobre o desaparecimento do Rei D. Sebastião.

Em suas pesquisas, soube de uma ilha, chamada Lençois, no Maranhão, em que as pessoas acreditam que o rei reapareceria em uma neblina por lá, em forma de um touro negro, em noite de lua cheia. Desafio aceito e duplicado. Ivan, que morre (ou melhor, morria) de medo de água, embarcou numa viagem de poucos dias ao local. Voltou cheio de histórias e uma exposição para se admirar: “Sentimo-nos cegos”.

Entre causos, almoçamos um peixe. Mesmo longe do mar. Vai ver a água salgada estava logo ali, navegando em nossas conversas. “O melhor peixe que já comi” conta Ivan a respeito de sua viagem de barco de volta à terra firme. Demorou alguns dias para voltar ao seu estado sólido. E prometeu: “Não se pode tirar nada da ilha. Então, um dia, eu vou retornar e devolver a ela uma biblioteca que existia sobre a lenda de D. Sebastião”. Tirou as medidas do lugar, calculou o material para a reforma e disse que vai ajudar na reconstrução.

De menino, Ivan queria ser pedreiro, desmanchava os brinquedos da irmã para entender como funcionava e nunca remontava da mesma forma. Desconstrução. Por que? “Porque preciso” – coça a barba. É hora de retornar.

Confira o vídeo que produzimos sobre o Ivan aqui.  
E conheça mais obras no site: www.ivangrilo.art.br

1 Comentário | Categoria(s): arte

Da Coragem ao Amor: Sinestesia

Quando se passa por um período muito difícil, desses que vêm como uma grande avalanche que remexe todos os ossos do nosso corpo e que, às vezes, parece levar a alma junto: reinventa-se.

Tudo começou em 2011 quando, entre muitas noites de insônia, ouvi de uma amiga: “desenhe Ana, volte a rabiscar, coloque no papel os sentimentos”. Coloquei. Achei que seria assim, traço. Mas veio em forma de outras linhas. Tudo misturado. Sentimentos com cores. Palavras com imagens. Sentidos atravessados. Sinestesia. Foi assim que chamei essa primeira série de textos que comecei ali e termino dia 14 de fevereiro, num último texto publicado no livro chamado AMOR, a convite da querida Fabi, editora do Confeitaria.

 

Como deveria de ser, faltou o rabisco que minha amiga sugeriu para completar a história. E minhas palavras ganharam o melhor traço, o dele. Fica aqui o meu, o nosso convite, para o lançamento do livro AMOR Pequenas Estórias, na Casa Prólogo, na rua Bahia, 1282,  em higienópolis, SP, no dia 14/02/2014, a partir das 19h. E uma lista de todos os textos da série, para quem ainda não leu <3

CEGUEIRA
LEVEZA
UTOPIA
DESPEDIDA
MEMÓRIA
ENAMORAR
SEGREDO
DOR
CONTROLE
CORAGEM

A QUATRO PÉS

Por Ana Luiza Pereira.

Comente | Categoria(s): ilustração

O segredo de M.

“Ele é o cara” começa M.
“Ele é seu irmão?”
“Não”.
“Como você conhece ele?”
“Ele toca aqui no restaurante todo sábado”.
“E você vem todo sábado jantar aqui e vê-lo tocar?”
“Ahan. Posso te contar um segredo? Eu tô apaixonada com ele. As últimas 10 páginas do meu diário são sobre ele. Eu só penso nele. O tempo inteiro” escorrega o corpo na parede enquanto derrete as palavras.
“Eu acho que você vai ser atriz!” rio.
“Eu sonho que estou na varanda de uma casa e ele faz uma serenata para mim. Ele toca violino só para mim” diz a Disney com voz de M.
“Como é essa casa ai que você imagina?” dou corda.
“Ela é toda branca. Tem 5 quartos. Tem quarto para velho, adulto e criança”
“Quem mora nesse quarto de velhinhos?”
“Meu papai e minha mamãe ué!” e aprendo que M. tem 8 anos.
“Quem é sua mamãe? Ela está naquela mesa aqui?” tento voltar para o prato de macarrão que esfria a minha frente.
“É uma loira que tá do outro lado do restaurante”
“Como é o seu quarto nessa casa?” desisto.
“É cheiooooo de violinos na parede. Tem até uma pintura de um violino!”
“Como ele se chama? O violinista?”
“D.”
“E ele tem quantos anos?”
“15. É injusto, minha prima tem 13 anos e tem mais chance com ele do que eu!” e bate o pé no chão.
“Vocês não frequentam a mesma escola?”
“Não. Minha escola fica em João Del Rey, a dele em Tiradentes”
“Mas você mora aqui?”
“Ahan. Mas a gente deve mudar em breve. Meu papai quem fez esse macarrão aí”
“Então seu pai é o chef?”
“É ele e um monte de cozinheiro”
“Que delícia! E você gosta?”
“Todo dia eu como macarrão, macarrão, macarrão. Mas eu gosto mesmo é de frango com quiabo” encerra nossa conversa.

Naquela noite, eu fugia da música ao vivo nos inúmeros bares e restaurantes de Tiradentes. Acabei escutando D. tocar o violino e o coração de M.

Seu segredo é simples: como uma boa mineira, M. se apaixona “com”.

Spaghetti Cantina Italiana em Tiradentes, MG

O ano em que descobri papai noel.

Sempre que meu pai chegava em casa, eu observava os seus pés imundos de poeira das minas que visitava. Era o seu aniversário quando ele chegou com a botina limpinha. Eu tinha 8 anos e compreendia muito pouco sobre a vida. Mas sabia que a botina não tinha a cor de sempre e a vida de fato se tornou mais cinza. Foi o ano em que eu e minha irmã passamos a não frequent ar mais a mesma escola. Foi o ano em que a moça que cuidava de nós se despediu de mim com um filho próprio em cada braço. Foi o ano em que vi minha mãe chorar pela primeira vez.

Meu pai não mais calçou aquelas botinas. Se enfiou em um par de chinelos e eu reparei que herdara seu joanete. Morria de vergonha do meu joanete. Ele era responsável por eu nunca usar sandálias e esconder meus pés em sapatos fechados e duros.

Depois deste ano, fui forçada a erguer a cabeça e ver meu pai da cintura para cima. Chegava de longas viagens com os ombros cheios de sacolas de compras, despencava-as sempre em cima de sua cama, tirava logo o chinelo e colocava os pés nus para cima. Meu pai era relativamente jovem mas sempre teve uma careca charmosa no topo da cabeça, onde vira e mexe eu me aventurava a dar um beijinho, achando que todas aquelas compras que ele trazia eram pra mim.

Não. Os presentes não ficavam lá em casa; eram para outras crianças. Me arriscara a pedir, uma vez ou outra, por uma borracha cheirosa que eu enfiava no nariz toda vez que a achava perdida em cima da cama. Mais tarde até cheguei a ganhar uma, mas ela logo perdeu o cheiro e o meu mais novo passatempo se tornou procurar por aquele cheiro num ritual que se repetiu por anos. Em família, abríamos todas aquelas sacolas como se fosse dezembro.

Me lembro de dizer aos novos colegas da escola que meu pai era uma espécie de papai noel profissional que, não importava a época do ano, vivia carregando sacos cheios de presentes.

Finais de ano sempre foram uma tortura para mim. Imagine, uma criança ter de escolher um só presente dentre tantos a venda. Até que naquele dezembro, quando já tinha 9 anos, vi meu pai trabalhar como nunca no natal, chegar em casa tarde, largar os chinelos, colocar uma roupa vermelha e uma botina limpa. Foi naquele dia que descobri papai noel. E observei que ganhara presente o ano todo. A vida toda. E compreendi pela primeira vez. Meu pai era o melhor presente.

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A QUATRO PÉS

Começo hoje uma série de curtas histórias a quatro pés <3

2 Comentários | Categoria(s): leituras

Molly Evans e Lionel Richie <3

Molly Evans é uma artista que borda letras de músicas do cantor Lionel Richie em móveis velhos descartados nas ruas. Vi lá no facebook da Juliana Cunha.

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Achei que meu pai fosse Deus

Perdi todos os sites que lia no google reader e achei uma boa oportunidade para mudar minhas leituras. Comecei a ler várias outras coisas fora da internet. Uma dessas descobertas foi o livro “Achei que meu pai fosse Deus – e outras histórias verdadeiras da vida americana” do escritor norte-americano Paul Auster.

Paul Auster começou esse livro quando foi convidado a fazer um programa mensal numa rede de emissoras públicas de rádio dos Estados Unidos. Não estava disposto a aceitar o convite, mas sua esposa lhe deu uma ideia – em vez de escrever as histórias, pedir aos ouvintes que mandassem as suas. O resultado superou todas as expectativas – em um ano, o escritor recebeu mais de 4 mil histórias. A sua seleção das melhores estão nesse livro que termino de ler hoje.

Auster escreve sobre os “sinais” das nossas vidas. Inspirada em suas histórias, decidi retomar o A Pattern para escrever mais. Sobre leituras, sobre filmes, sobre artistas. Mas também para compartilhar um novo risco: escrever minhas próprias palavras. Para começar, um conto curto inspirado no nome do livro do escritor americano.

Como é bom recomeçar.


Naquele ano meu pai retornara ao seu exercício profissional em escritórios, após longas jornadas atrás de um balcão de loja. Eu estava acostumada a vê-lo sempre a distância, ou estava no interior do estado ou enfiado na locadora até de noite.

Eu tinha acabado de sair da minha médica. Vivia algumas descobertas sexuais naquele mesmo ano e andava com pedidos de exames sem ter onde carregar. Eu tentava escondê-los na rua, enquanto enfrentava a multidão para chegar até um laboratório próximo. “Não há nada de errado”, dizia para mim mesma. Repetidas vezes. Tinha certeza de que meus exames estavam em ordem. Que aquilo era rotineiro e que eu deveria me acostumar com novos cuidados à saúde. Fui me tranquilizando mas meus ombros teimavam em trombar nas pessoas no caminho. O vento parecia vir na direção contrária e eu agarrava os papeis com força, amassando-os contra o peito.

“Ai meu Deus” pensava. Ameaçava chover e fui interrompida por uma voz grossa. “Filha?” achei que minha aflição tinha se tornado tão alta que, por um momento, pensei em responder: “Deus?” Levantei os olhos dos meus próprios pensamentos para a realidade à minha frente. Meu pai agora trabalhava naquela região, estava no seu horário de almoço e em seu caminho de volta ao escritório. Ignorou os papeis, me deu um beijo na testa e seguiu.

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