My kind of food…por Isa Maiolino

Mais uma colaboradora para o nosso querido A Pattern!! A Isa trabalhou comigo na Capricho e tem um blog delicioso chamado My Kind of Town – só sobre o lado B de São Paulo. Ela dá ótimas dicas gastronômicas e até faz uns videos de culinária – vestida no seu look anos 50 – com pratos famosos de restaurantes paulistanos para reproduzir em casa! Por aqui, ela vai postar só sobre gastronomia – o que ela vê de melhor online: my kind of food :]

Um belo dia recebo um convite de uma pessoa querida, criadora de um blog super fofo. ”Você não quer escrever sobre comida no meu blog?” Hun, por onde começar?

Bem, sou uma apaixonada por comida! Pauto minhas viagens sempre sonhando com o que vou experimentar por lá, almoço sempre pensando o que vou comer no jantar. Sempre estou com um olho no peixe e outro no frango (bem passado, por favor). Amo conhecer restaurantes novos, de vez em quando entro na cozinha (de uma jeito bem desajeitado, mas graças ao marido cozinheiro, nunca aconteceu nenhum desastre na nossa cozinha). A comida reúne a família, acalenta a alma. É o ingrediente necessário em dias de inverno. É o tempero dos encontros, a lembrança dos desencontros. É o melhor cúmplice dos grandes desabafos entre amigos. Um grande álibi enquanto a gente protagoniza um momento inesquecível. O respiro do dia difícil. A cura de um momento febril. Grandes memórias de afeto tem sempre uma pitada de sal a mais. “Quem tem muita fome de comida, tem muita fome de vida”, sempre diz uma sábia amiga.

E logo hoje, lendo o site Mistura Urbana (http://misturaurbana.com), descobri uma artista que faz uns pratos tão, mas tão lindos, que deu até vontade de me esconder embaixo da cama, e nunca mais entrar na cozinha! Ela se chama Red Hong Yi (http://www.ohiseered.com). Tô assim, apaixonada por ela.

Separei para mostrar para vocês os meus pratos prediletos, mas vale a pena gastar uns minutinhos admirando o trabalho dela.

PS: Alguns pratos ela faz vídeos mostrando o passo a passo. Veja esse:

Comente | Categoria(s): #mykindoffood

#WEJUMP…por Ana Luiza Pereira

Quando minha mãe fez sua primeira viagem internacional, ela me levou a tiracolo. Veja bem, minha mãe é sempre boa companhia em viagens: ela adora ir a todos os museus e experimentar todo tipo de comida.

Para mostrar seu espírito aventureiro nas fotos, eu tive uma ideia. Fiz minha mãe pular em várias delas! Ela morria de rir e, click!, saia natural e feliz nas fotos sem pose ;] Foi pensando nisto que criei o #wejump, hashtag para colecionar pulos ao redor do mundo.

Os meus jumps serão focados em arte. Acontece que eu e Anita, nossa colaboradora de música, vamos registrar nossas visitas a exposições assim: dando pulos de alegria dentro dos museus! Já arriscamos alguns saltos mirabolantes na Pinacoteca, no CCBB, na Galeria Fortes Villaça…

E nosso plano é que você nos ajude a fazer este banco de exposições ao redor do Brasil – e do Mundo! Basta escrever #wejump na sua foto e postar o nome da exposição e local.

A ideia é ocupar o museu de outra forma, mais descontraída e leve. Afinal, é assim que eu me sinto ao entrar em um: em casa. E é essa a sensação que eu tenho ao ver arte: pulando de alegria!

A exposição desta semana é a do chinês Cai Gui-Qiang. “Da Vincis do povo” está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo. Na sua primeira individual no Brasil, Cai reune invenções desenvolvidas em parceria com agricultores e trabalhadores chineses com aviões e disco voadores do lado de fora do prédio, pipas flutando e muitos robôs feitos artesanalmente. A paixão do artista pelo trabalho manual o fez colecionar Leonardos Da Vincis ao redor de seu país e montar este trabalho na busca por uma valorização da individualidade do povo chinês através das suas invenções:

“Somente a criatividade individual pode trazer um real desenvolvimento social. Através destas invenções, nós podemos ver que as histórias de fracassos, sucessos e de coragem destes trabalhadores rurais são reais”.

Quanto a temática constante de olhar para o céu e sobrevoar a realidade chinesa do dia a dia de concreto ou terra dos agricultores, Cai explica: “A computação é uma forma de liberar as pessoas de sua circunstância gravitacional e um jeito de dar a elas uma liberdade maior de pensamento. O mundo virtual é desconhecido e o homem gosta de explorar o desconhecido”.

Para ler mais sobre a exposição: http://oglobo.globo.com/cultura/artista-plastico-chines-cai-guo-qiang-expoe-no-brasil-obras-feitas-com-camponeses-de-seu-pais-7349387
Para ler mais sobre o artista: http://www.caiguoqiang.com/pdf/interviews/Blowing_Up_His_Time-GermanoCelant.pdf

“Da Vincis do povo”
Até 23 de junho de 2013
No Centro Cultural Banco do Brasil

Comente | Categoria(s): #wejump, arte

Paixão é cocaína. Amor é Rivotril

Adorei esta dica de leitura da querida Julia Elias: por Alexandre Versignassi

Bate de uma hora para a outra. Você está mais feliz do que uma criança numa piscina de algodão-doce. As preocupações sumiram. O resto do mundo evaporou. E ela é tudo o que importa. Se está longe, dói. De verdade, como se você tivesse apanhado. Mas se ela chega perto vira o melhor analgésico do mundo. Parabéns: você está apaixonado. Caiu na armadilha mais sofisticada da natureza.

Sim, porque a paixão é um instinto. Um tão automático e irracional quanto o que faz as formigas viverem numa sociedade industrial comunista sem terem lido Marx ou um joão-de-barro construir uma casa sem ter feito faculdade de engenharia civil.

O processo que desencadeia esse instinto começa com descargas de dopamina – a mesma substância que a cocaína ativa no cérebro. Essas descargas, do ponto de vista científico, existem por um único motivo: fazer você produzir filhos. Claro que tudo isso acontece sem que você tenha a menor consciência. Ninguém pensa em crianças no momento em que se apaixona. Muito pelo contrário. Mas a real é que não somos diferentes de uma formiga ou de um joão-de-barro: fazemos o que os instintos mandam. E a razão última de todos os instintos que envolvem o amor é produzir filhos, passar os genes adiante, de preferência na companhia dos melhores genes disponíveis no mercado.

Pense numa balada. A coisa é basicamente um pregão da bolsa de genes. Todo mundo procura pelos melhores pacotes genéticos do lugar e negocia possibilidades de fusão – geralmente com os mais bonitos. Beleza. Por que a beleza, em última instância, é um indício visível de saúde. E seu cérebro move você em direção a esses pacotes aparentemente mais saudáveis, já que a possibilidade de eles gerarem filhos melhores é mais alta. Inteligência também conta. Se alguém te faz rir numa conversa de 30 segundos, esse alguém não é burro. E tem uma chance razoável de te dar filhos mais espertos do que você teria se se reproduzisse por brotamento. Ponto para o pacote genético do sujeito.

De novo: vamos atrás das “possibilidades de fusão” com outros pacotes genéticos pelo prazer que a fusão proporciona – seja na cama, seja indo viajar para a Europa com alguém especial. Mas o prazer só existe como recompensa pelo verdadeiro trabalho, que é produzir crianças. Os orgasmos são descargas de dopamina que recompensam você pela tarefa de tentar fundir seus genes com os de alguém. E os instintos que criam os orgasmos são cegos: não fazem a menor ideia se o dono do cérebro está usando camisinha. Ou se ele é homossexual. Ou se ele planejou não ter filhos por que acha criança um saco… Seus instintos não conversam com outras partes do seu cérebro, como a que determina sua sexualidade ou seus planos para o futuro.

Bom, a piscina de algodão doce que se abre quando você está só passeando com alguém especial também é dopamina, só que numa dose mais leve e contínua. Mas não existe descarga de dopamina grátis. Os efeitos colaterais de estar apaixonado são basicamente os mesmos da cocaína: insônia, agonia, taquicardia.

Quando Pixinguinha cantou que o coração dele “não sei por quê/bate feliz/quando te vê”, estava involuntariamente narrando os efeitos da dopamina sobre o batimento cardíaco. Bon Jovi também, quando canta que o heart dele beats like a drum em Born to be my Baby. Morrissey faz uma descrição mais dramática. E mostra bem o quanto um mero passeio de carro sob a euforia dopamínica pode ser eletrizante para o cérebro do apaixonado:

If a double-decker bus
Crashes into us
To die by your side
It´s such a heavenly way to die
(“Se um ônibus de dois andares/Bater na gente…/Morrer ao seu lado… Taí um jeito paradisíaco de morrer”)

Mas a paixão não é imortal, posto que é droga. E posto que é droga, causa dependência química – as dores físicas que os apaixonados sentem quando são rejeitados têm um paralelo nas crises de abstinência. “I need you, I need you, I neeeeeed you!!”, confirma John Lennon em Michelle*, do Rubber Soul.

Paul McCartney, mesmo mais pragmático que o ex-companheiro de banda, mostra que até a expectativa de passar por essa crise de abstinência pode ser insuportável. E fazer com que você não enxergue a realidade crua quando ela não te favorece. Em For no One, do Revolver:

You don’t believe her when she said
Her love is dead
You think she needs you

Essa montanha-russa química é demais para qualquer organismo. Por isso mesmo a paixão só é infinita enquanto dura. E, segundo a maior parte das pesquisas científicas, dura só 3 anos – na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença. E o que a faz a coisa evaporar é, surpresa, um relacionamento saudável.

Quem destrói os hormônios da paixão são justamente outras substâncias que o corpo libera durante os orgasmos: a ocitocina (nas mulheres) e a vasopresina (nos homens). Essas são drogas mais leves. Ansiolíticos.

Transformam o oceano revolto que é uma paixão num mar de tranquilidade. Se a relação continuar bem, essas substâncias vão fortalecendo os laços entre o casal. E serão o gatilho para outro instinto: o de virar mãe e pai – as mulheres, por exemplo, têm esses mesmos hormônios ativados durante a amamentação. Assim elas relacionam a paz da ocitocina, do ansiolítico, à ideia de cuidar da criança. Paixão é cocaína. Amor é Rivotril.

E pode ser eterno, como mostram os albatrozes e alguns casais de humanos. Ou não. Sempre existe a possibilidade de que um dos dois pule fora para recomeçar esse jogo todo com outro pacote de genes. Afinal, paixão vicia. E nem todo mundo usa com moderação.

Como mostra, aliás, este solteiro de 69 anos aqui do microfone – sete filhos com quatro mulheres, mais Angelina Jolie, Carla Bruni e Uma Thurman no currículo. E ainda insatisfeito.

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BEM VINDA FAMILIA A PATTERN!

Depois de quatro anos postando no A Pattern a Day, conclui: o melhor presente que ficou são as pessoas que conheci através do blog e as amizades que se intensificaram por conta dele!

Pensando nisso, eu decidi fazer do A Pattern um blog colaborativo com algumas das pessoas mais incríveis que conheci por ele nos últimos anos!! Aos poucos vou apresentando cada uma e suas colunas especiais :]


Para comemorar este novo momento, um dos nossos colaboradores, o ilustrador Bruno Nunes desenhou uma estampa linda para esta nova fase: vida nova ao A Pattern!!!

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Minha vida, um videoclipe…por Anita Giansante

Mais um dia feliz! A Anita é a mais nova colaboradora do A Pattern e vai postar por aqui só música boa <3 Para quem não a conhece ainda, é ela quem pula comigo em exposições no projeto #wejump!

O título desta nova coluna surgiu de um comentário que a Ana fez em uma foto minha no instagram durante uma das minhas viagens. Quando ela me convidou para falar sobre música aqui no blog, não sabia muito bem o que postar.

A partir do título sugerido, comecei a pensar sobre como a música sempre foi algo muito forte na minha vida, mesmo sem, de fato, produzir algo ou tocar um instrumento. Essencial: uma trilha sonora tocando em minha cabeça [ou no fone de ouvido rs] seguindo uma playlist que, algumas vezes, nem eu mesma construí, mas que seguiu o ritmo da minha própria vida .

Certas músicas são capazes de construir imagens completas em nossas cabeças, chegando a recriar pessoas que nos marcaram, mesmo com toda complexidade de detalhes e trejeitos que elas possuem. As vezes, é uma letra, ou a sonoridade, ou o acaso do momento que ela tocou que determina essa relação – sempre algo muito pessoal. Quando uma dessas músicas toca é aquele turbilhão de lembranças que não têm como serem separadas da imagem de um olhar.

Hoje, a canção Sim Sala Bim do Fleet Foxes apareceu na minha playlist, fazia alguns meses que não escutava. Junto a ela vieram as tais lembranças e uma triologia musical que me marcou:

Bon Iver – Skinny Love

Fleet Foxes – Sim Sala Bim

Samaris – Hljóma Þú

2 Comentários | Categoria(s): música

E aí meu olho brilhou…por Débora Andreucci

“Um pouco sobre mim.
Sobre a minha alma.
Sempre gostei de flores.
As flores me dizem tanto.
Quantas histórias interessantes um florista tem para contar? Sou curiosa.Vou perguntar.
Há quem relacione as flores com experiências felizes, e outros com momentos tristes.
Uma rosa, por exemplo, é o presente ideal para alguém que queria fazer sorrir, seja no aniversário,
na comemoração de uma paixão, no nascimento de um filho. Mas também pode ser o símbolo de
uma despedida de alguém que partiu.
É tão sútil a forma como transmitem o melhor dos sentimentos em mim.
Belas cores, cheiros marcantes, texturas intrigantes.
Transformam qualquer dia cinza no mais colorido e feliz dos dias.
Eu me dou flores. Toda semana.
Elas crescem e florescem junto comigo.
Dentro da minha casa, são testemunhas da minha rotina.
Cheguei a uma conclusão.
Além do meu cachorro, e meu marido, elas são minhas melhores ouvintes.
Não há remédio melhor que cure uma tristeza, uma desilusão, um mau humor.
Não há nada melhor do que aliar uma flor a um dia encantador.
As flores são o reflexo do que é verdadeiro.
E uma inspiração eterna para toda a minha vida.”

Estou muito feliz! A Dé é a nova colaboradora do A Pattern e vai postar por aqui imagens inspiradoras de decoração <3 Para quem não conhece esse olhar especial, é ela quem faz, junto às irmãs, o delicioso Inspiration Page!

1 Comentário | Categoria(s): interiores

Jardin Fashion

Desde que me mudei para São Paulo, vira e mexe alguém me pergunta onde eu comprei uma peça de roupa da Jardin. Conheci a Bhárbara, estilista da marca, numa feira de design e me apaixonei pelas suas criações! No início deste ano, ela entrevistou alguns profissionais que admira para o blog da marca e os presenteou com dois looks.

Eu fui uma das entrevistadas e, dentro da proposta, decidi brincar. Presenteei duas amigas queridas que ficaram em BH com um dia de produção e fotos no atelier da marca – uma forma de estar presente em suas vidas, mesmo a distância.

A Dani é das mães mais dedicadas que conheço, artista de muito talento e dona de um humor ácido! A Lorena é uma designer de coração, com quem eu dividi bons momentos no trabalho e um tantão de música brega.

Duas amigas que tenho sempre perto, mesmo longe <3

Para quem não mora em Belo Horizonte, a Jardin vende online, corre lá!

Comente | Categoria(s): moda, patrocinado

Um novo espelho

Neste último mês ganhei um presente. As meninas queridas da Oficina de Estilo me chamaram para participar como voluntária nas aulas de personal styling de uma primeira turma bem especial. Eu, que queria muito reiventar uma vida, topei na hora ser a cobaia de Luanda, uma pernambucana mãe de João e Irene que se aventura na tal nova paixão mundial: fazer o que ama.

Nem sei se cabe dentro do termo “consultora de estilo” tantos desdobramentos de um trabalho tão especial. Eu achei que aprenderia sobre cores, sobre truques de estilo, sobre guardaroupas organizados e consumo com foco. Aprendi que tudo isso, na verdade, é uma constante descoberta. Abrir o armário e inventar personagens é uma brincadeira que fazemos desde que calçávamos os sapatos das nossas mães. E não tenha dúvida que querer se fantasiar é um exercício e tanto para a nossa auto estima.

Talvez, quem tenha passado por esse processo tenha outras percepções, mas o que ficou de valioso para mim foi justamente redescobrir meu corpo na frente do espelho (aliás, na frente do iphone da Luanda mesmo – há 4 meses moro sem espelho em casa).

Descobri que tenho uma sabonetera (sim, não fazia menor ideia do que era), que “pega frango” é o “pescador” pernambucano, que sou mineira barroca e paulista arquiteta e – o óbvio – que sou outra mulher de salto!

Mas mais que tudo isso, entendi que todas essas desconstruçōes e reconstruções de um guardaroupas vai muito além do consumo. Afinal, quem abre meu armário se assusta com tanta pouca coisa. Mas que, nos exercicios de estilo, se multiplicou!

A Luanda possui dois olhos de criança para criar, um coração de mãe para saber lidar com aquilo que é tao íntimo – o nosso corpo – e uma sensibilidade escorpiana aguçada para se aprofundar em questões que vão além moda.

E o que eu vou levar dessa experiência além da amizade e todo esse aprendizado? Às vezes, é preciso comprar um novo espelho.

Saiba mais sobre o curso da Oficina de Estilo aqui.

Sobre a Luanda:

Me formei em design já fiz especializações na área de comunicação e moda. Sou do Recife, mas em São Paulo há quase 6 anos. Jurei não perder meu sotaque jamais e tenho conseguido manter minha promessa. Dirijo mal, mas tenho boa vontade. Sou mãe de dois filhos lindos e tenho certeza que essa é uma das funções que melhor faço na vida. Adoro gente e foi isso que me fez querer trabalhar como consultora de estilo. Me formei consultora com a Oficina de Estilo por acreditar (muito) na metodologia delas, que busca entender as prioridades das mulheres, antes de querer vesti-las como moças de revista. Se conhecer para se mostrar ao mundo da melhor forma possível. É um trabalho bonito de ver e de fazer, porque resgata valores e reafirma vontades, através da roupa, que é um instrumento muito poderoso

lua@basique.com.brfacebook.com/basiqueconsultoria e @luabfonseca

 

2 Comentários | Categoria(s): moda

Beach House – Forever Still

4 músicas do disco Bloom filmadas durante o pôr-do-sol e amanhecer de 3 dias.
Quem quiser ouvir mais músicas da banda, no site deles é possível ouvir sem ter que pagar nada.
via

Comente | Categoria(s): música

Sinestesia: Leveza

Decidiu guardá-lo na gaveta. Andava agitado. Hora branco-transparente. Hora preto-luto. Quietava lá dentro, no escuro. No escuro não tinha cor. Não existia. Murchinho. Um dia, entre uma música e outra que tocava lá fora, escutou. Não era azul, nem amarelo, fingia de verde, mas lembrava mais a cor do mar. Ficava lá dentro, no escuro, imaginando: “qual a cor estava a tocar?”. De todos os sons, aquele o fazia inchar. E voltava a se agitar, se enchia de vontade. A menina, de fora, escutava a gaveta saculejar. Às vezes sentia que ia explodir! Aí, tirava-o da gaveta para passear. Do escuro a luz, ele, finalmente, era branco e cheio. Mas logo voltava a esmirrar, para dentro da gaveta, mais uma vez.

De tempos em tempos, ela o levava à luz. Até que um dia, nesses especiais, em que podia sair da gaveta, ela o surpreendeu. Foi levá-lo a um lugar mais distante. De fora do prédio, já escutava. Era aquele som, o de várias cores. Ele se enchia cada vez mais, para poder ficar mais perto daquela música. Não acreditava que, finalmente, poderia vê-la melhor.

Pois não é que a música não tinha uma cor definida? Era como ele sempre imaginou: nuances. Tantas cores a escutar que achou que não ia se aguentar. Ficou tão grande, tão iluminado, que não teve como. A menina não conseguiu guardá-lo na gaveta mais. Amarrou-o por uma corda ao seu punho, para não escapar. Até que um dia, tomada por aquela música toda, se deixou levar. Ele ficou enorme e a levou junto. Finalmente, voaram. E assim, ela a alcançou: a leveza.

Por Ana Luiza Pereira / Imagem: Sara Perovic.
Originalmente publicado no Confeitaria.

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