Escutadeira, eu quero ser

Nesse passo dado em rumo a contar histórias, tenho me deparado cada vez mais com esse exercício: o de escutar. Hoje, encontrei esse texto da jornalista Elaine Brum e recorto minha parte favorita aqui no blog, mas vale toda a leitura, vale ouvir cada palavra:

“Escutar é talvez a capacidade mais fascinante do humano, por que nos dá a possibilidade de conexão. Não há conhecimento nem aprendizado sem escuta real. Fechar-se à escuta é condenar-se à solidão, é bater a porta ao novo, ao inesperado.

Escutar é também um profundo ato de amor. Em todas as suas encarnações. Amor de amigos, de pais e de filhos, de amantes. Nesse mundo em que o sexo está tão banalizado, como me disse um amigo, escutar o homem ou mulher que se ama pode ser um ato muito erótico. Quem sabe a gente não experimenta?

Escutar de verdade implica despir-se de todos os seus preconceitos, de suas verdades de pedra, de suas tantas certezas, para se colocar no lugar do outro. Seja o filho, o pai, o amigo, o amante. E até o chefe ou o subordinado. O que ele realmente está me dizendo?

Observe algumas conversas entre casais, famílias. Cada um está paralisado em suas certezas, convicto de sua visão de mundo. Não entendo por que se espantam que ao final não exista encontro, só mais desencontro. Quem só tem certezas não dialoga. Não precisa. Conversas são para quem duvida de suas certezas, para quem realmente está aberto para ouvir – e não para fingir que ouve. Diálogos honestos têm mais pontos de interrogação que pontos finais. E “não sei” é sempre uma boa resposta.

Escutar de verdade é se entregar. É esvaziar-se para se deixar preencher pelo mundo do outro. E vice-versa. Nesta troca, aprendemos, nos transformamos, exercemos esse ato purificador da reinvenção constante. E, o melhor de tudo, alcançamos o outro. Acredite: não há nada mais extraordinário do que alcançar um outro ser humano. Se conseguirmos essa proeza em uma vida, já terá valido a pena.

Escutar é fazer a intersecção dos mundos. Conectar-se ao mundo do outro com toda a generosidade do mundo que é você. Algo que mesmo deficientes auditivos são capazes de fazer.”

- Veja mais em: http://despertarcoletivo.com/por-que-as-pessoas-falam-tanto/

 

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Entrevista com criadora do youPIX, Bia Granja

“Você pode ter audiência, mas não quer dizer que tenha uma comunidade ao redor. Agora a gente quer ter comunidade. Quero ser relevante para o leitor”.

Uma boa leitura lá no Projeto Draft em entrevista com Bia Granja, a criadora do youPIX, sobre a internet hoje e um bocado do que também acredito.

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Curso de Branding Farm + Perestroika

Quando soube que Carlos Mach, Julia Hachmann e Tatiana Viana – turma boa que tive o prazer de conhecer ano passado em uma palestra na Farm – vão dar mais uma edição do curso de “Branding”, logo pensei em divulgá-lo aqui no A Pattern. De nome complicado, o tal do “Branding” é, na verdade, o descomplicador de tudo na construção de uma identidade de marca. Ferramenta que se aprende, fazendo. Para quem está querendo abrir sua própria marca e construir uma linguagem inspiradora: se inscreva.

“BRANDING é um workshop de construção de marcas inteligentes em que abordarmos o conceito e teorias dessa ferramenta. O curso já está na 4º edição, mas agora ganha novo formato, ainda mais prático com dinâmicas ao final das aulas. A ideia é reforçar a troca de conhecimento e intensificar o feedback dos professores. Claro, e, mais do que nunca, colocar a mão na massa. É construção coletiva”, explica o Jean Philippe, diretor de Whatever da Peres.

Por aqui, fizemos umas perguntinhas para o Carlos, gerente de Branding da Farm, sobre essa paixão de dar o curso:

AP. Para alguém que está começando a criar uma marca, por que o Branding é tão importante?
CM: O Branding é um olhar profundo e ao mesmo tempo amplo sobre a marca. A partir do momento que você adquire esse olhar, todo o processo criativo se torna mais importante e a identidade da marca começa a ser construída de forma mais sólida. Fazer esse trabalho exige tempo, então quanto antes você começa, mais rápido terá resultado.

AP. O que é mais legal de dar esse curso?
CM: Esse curso é no formato de workshop. Todo mundo coloca a mão na massa. A troca entre nós é super importante para mim. Além disso nesse curso eu apresento para a turma a metodologia que desenvolvi no meu trabalho ao longo desses anos. Os conteúdo das aulas você não encontra em nenhum livro de Branding. É algo que eu construí fazendo o meu trabalho.

AP. O que mais te inspira?
CM: Pessoas , natureza e a arte.

Aberta residência para editores independentes

A Feira Plana é a principal feira de publicações independentes do Brasil e já está a caminho de sua quarta edição em 2016. Sua idealizadora e realizadora chama-se Bia Bittencourt.


Bia é designer, trabalhou na Folha de SP e na MTV, e hoje divide a curadoria da Feira com o artista Carlos Issa. Foi através da curadora, produtora e também editora de zines independentes, Bebel Abreu, que Bia entrou em contato com o MIS – SP (Museu de Imagem e Som de São Paulo) grande apoiador e local onde acontece a feira.

Recentemente, a Plana lançou uma Biblioteca, espaço de compartilhamentos de livros e zines independentes no Elevado, em São Paulo. Não bastasse essa novidade, vem outra ainda mais incrível:

Residência Plana, é uma residência que contemplará 3 projetos de publicação independente com a oportunidade de frequentar durante um mês as dependências da editora Cosac Naify e as gráficas Meli-Melo Press e/ou Ipsis para editar, produzir e imprimir seus projetos que estarão em janeiro de 2016 na Feira Plana. A partir de 15 de agosto, neste link, você poderá se inscrever.

Por aqui, Bia bateu um papo com o A Pattern para contar mais sobre a Residência:

De onde surgiu a sua vontade de fazer a Feira Plana?
Veio de uma mistura entre a minha própria produção de publicações com uma viagem que fiz pra Nova York, onde conheci a histórica Printed Matter e a feira de livros que eles fazem no MOMA. Quando voltei pra São Paulo, escrevi o projeto sobre uma Feira que reunisse artistas e editores independentes.

Como aconteceu a parceria com a Cosac, Meli Melo e Ipsis?
Estive na Bahia com a editora da Cosac, Florencia Ferrari, e ela me sugeriu algo que unisse a Plana e a Cosac. Fomos conversando, unindo mais pessoas na conversa, a designer Elaine Ramos, o artista Carlos Issa e aí surgiu a residência num almoço divertido. Convidei as gráficas Meli-Melo e a Ipsis para integrar o time, eles já são parceiros desde o ano passado.

Que tipo de projeto a residência está buscando encontrar no processo seletivo?
Projetos que me surpreendam, boas ideias, projetos de cair da cadeira.

A Feira Plana tem planos de acontecer com novas edições em outros estados do Brasil?
Por enquanto ainda não, já recebi alguns convites, mas nada muito concreto. A Feira Plana pesa toneladas, é uma estrutura grande, confesso que não tenho um tratorzão ainda pra descolar ela de um lugar pro outro e que seja perfeito.

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Para saber mais informações:feiraplana.org

 

Dicas de Exposições do Andarilha

Em minhas andanças pelo projeto Andarilha, passo em exposições de arte, fotografia, moda, arquitetura, design. Algumas delas eu indico a visita pela hashtag #PassoAqui. É só seguir a gente lá no instagram (@_andarilha_) e acompanhar nossos passos ;]

Por aqui, compartilho algumas das dicas:

Ocupação Elomar: no itaú cultural, uma casa sertaneja é montada para contar a história do compositor, músico e arquiteto Elomar Figueira Mello. Até 23 de agosto. Mais informações aqui: www.itaucultural.org.br/programe-se/agenda/evento/ocupacao-elomar/

Bailes do Brasil: na Solar Marquesa de Santos  [Rua Roberto Simonsen, 136 – Sé], os curadores Jum Nakao e Ricardo Feldman transformam 6 salas em um verdadeiro baile. Como baile bom é baile cheio, foram selecionadas 230 fotos que mostram a relação dos nossos trajes com a ginga brasileira. Imperdível! Até 25 de outubro. Para saber mais, leia lá no Andarilha: projetoandarilha.com/bailesdobrasil

A experiência da arte: no Sesc Santo André, vale a visita. A exposição é um lugar de experimentar e é isso mesmo que o visitante (seja ele a criançada ou os adultos brincantes) é convidado a interagir e sentir obras de importantes artistas contemporâneos, como Vik Muniz, Ernesto Neto e Wlademir Dias- Pino. Para saber mais: www.sescsp.org.br

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Quem quiser indicar exposições também, é só usar #PassoAqui ou tagear nosso Instagram!

 

 

 

 

Zica Bérgami

Ela é mais conhecida por seus prêmios como compositora, mas Zica Bérgami é dos traços mais belos da arte brasileira. Da série: artistas que gostaria de ter conhecido para o Projeto Andarilha.

 

Comente | Categoria(s): arte, ilustração

Inês Schertel na Revista Bamboo

“Há um movimento recente de designers que estão voltando para o interior e criando uma produção que, em contraponto à frieza do ‘arrojado’ e do tecnológico, é quente e conectada com o mundo natural”, diz a colunista Adélia Borges para a revista Bamboo de julho. A importante curadora e jornalista especializada em design entrevista a gaúcha Inês Schertel, designer que deixou São Paulo após 24 anos de trabalhos e retornou ao campo para fazer peças de feltro artesanais. Leitura importante sobre o retorno aos interiores – lá na Bamboo.

 

Exposição Fuga ou Desculpa do Yorka

No dia 08 de agosto às 19h acontece em Curitiba a exposição do Leonardo Ceccatto, mais conhecido como Yorka. Conheci o Leo ano passado e fiquei feliz ao ver um menino tão novo, ainda não tinha nem prestado faculdade ainda, ocupando o ateliê do tio e as ruas da cidade. Vai longe, Yorka!

Na casa do lado (2137) do antigo Atelier SOMA (Atelier SOMA Rua Brigadeiro Franco, 2119, Curitiba). Clique para o evento no Facebook.

A moda que eu quero seguir

Recentemente uma conta no instagram me chamou a atenção. A fotógrafa cearense Rafa Eleuterio aceitou o desafio: 365 dias usando só marcas do ceará. Fiquei curiosa, já faz algum tempo venho seguindo algumas marcas de moda pelo Brasil, em especial pelo nordeste, que vendem através das redes sociais (ou em sites de venda online) e produzem em menor escala.

¡que venga!, coleção da marca Mood

A primeira marca que fisgou meu olho foi a Mood, de Fortaleza, de Isa de Paula Guarlberto e Rachel Schramm. As estampas tropicais, o clima de praia. Está tudo lá. Mas está também o cabelo solto, o corpo com mais curvas, a palha e os tons pasteis das casas locais. Está lá a história, a tradição, o cotidiano. Nas fotos de uma das criadoras da marca, Isa, encontro algumas imagens que caminham no sentido do litoral para o interior. Mandacarus viram cenários mais que contemporâneos. E a fotografia de moda busca se inspirar mais e mais em terrenos próximos!

Coleção do tcc de Isa de Paula, uma das criadoras da marca Mood

Afinal, o que o Ceará tem de muito especial para além do litoral? Me parece que o exercício é se voltar para o sertão e as marcas cearenses vão homenageá-lo, diz o jornal.

Expedita já nasceu assim, filha de Lampião e Maria Bonita. Um trabalho de Renata Priscilas e Isadora Diogenes, fruto de uma paixão por chitas e por uma avó sertaneja. A marca tem apenas 7 meses mas já chama a atenção por mergulhar de cabeça na beleza de um sertão verde e rico. Muito rico: “mandacaru também dá flores”, avisam elas.

Não é só o Ceará – você pode substituir o estado nessa leitura aqui por qualquer outro. Na moda brasileira, o oposto de litoral me parece ser urbano. A pergunta é: mas e o cerrado, as montanhas, as serras, as regiões pantaneiras, as chapadas, a caatinga e até as regiões ribeirinhas?

Coleções da jovem marca Expedita.

Os calçados também passeiam na direção dos interiores. Algumas marcas, como fridíssimavitalina, vão buscar nas cores e no couro inspirações para criar. O resultado é uma moda que me parece mais possível e feita em menor escala. Isadora explica:

“Muitas meninas ainda pedem peças da primeira coleção que estão esgotadas, pois estão acostumadas a um ritmo de produção fast fashion. Mas cada vez mais já conhecemos pessoas mais conscientes na hora de consumir.”

Que essa consciência venha para quem consome e também para quem produz. Que continuem surgindo mais marcas assim, inspiradas em seus interiores, nem sempre geográficos, mas mais próximos dessa menina do cabelo solto e descalça na sua terra, seja ela feita de areia, de água, de grama, de terrenos pedregosos e tantos outros por onde caminhar.

Que essa moda pegue. Essa eu quero seguir com passos andarilhos, sempre.

1 Comentário | Categoria(s): moda, pesquisas

Bonequeiras: uma outra sede, outra mulher.

Elas começam na infância, fazendo da terra uma outra sede, a de brincar. Constroem suas primeiras bonecas, não de pano, de barro. Molham as mãos na argila e moldam uma face. Dão graça ao rosto, ar à pequena, vida à menina. Enquanto as mães fazem panela, elas se inventam a criar. Estudam as feições como se fizessem caretas. Arriscam uma cara fechada quando observam que os meninos são chamados de Mestres e elas de Donas. Aventuram-se então, a serem Mestras. Mestras do barro. Bonequeiras.

Pesquisando o barro, me deparo com essas artesãs. São elas seguidoras de toda uma trajetória de mulheres da família. Da bisavó à avó; da mãe às tias. Do pote aos vasos; das moringas às bonecas. Até o filtro de barro é enfeitado como uma moça bonita. Embelezar é função tão essencial quanto manter a água fresca. E o que é bonito não é o outro, é a sua própria face. Quantas bonecas se assemelham às suas donas, suas filhas e amigas. Os olhos grandes e sedentos, a boca vermelha e apaixonada, a pele morena e queimada como barro. O nariz é largo e, mais importante, é seu. Grande parte dessas mulheres financiam os estudos dos filhos com o ofício e se libertam da única condição de donas do lar para donas também de si.

Recordei-me da minha própria infância. Brincar com bonecas de longos cabelos loiros na mansão de 3 andares cor de rosa era com as amigas. Na minha casinha de madeira, eu era o enchimento de espuma dentro de vestido vermelho e a cabeça de bola de gude. Adorava inventar as minhas histórias e foi então que comecei a rabiscar. Lembro-me de desenhar, certa vez, minha mãe. Minha professora de artes insistia em colocar na ponta do lápis as proporções que eu deveria seguir. Enquanto isso, minha mãe me pedia para reproduzir uma foto em que ela se parecia mais com uma musa do cinema americano do que a filha da minha avó nordestina. No meu papel, então, ficou assim: o rosto de minha mãe era mais largo, seus lábios finíssimos e seu cabelo bagunçado. Eu exagerava aquilo que achava belo.

Vira e mexe, a minha vida ainda se esbarra nessas mulheres em busca dos retoques e das proporções. Mas é, então, que me deparo com as bonequeiras e fico feliz. Que meninas ainda brinquem de ser como elas, de se pintarem à sua beleza, aos seus toques e traços. Que sejam outras mulheres, ao molde de seus próprios narizes.

Texto: Ana Luiza Gomes
Foto: Filtro de Barro de Irene Gomes da Silva, de Coqueiro Campo, MG.

 

 

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