
Você tem preguiça de atualizar um programa e ter de esperar aquele tempão para ele abrir que até dá vontade de usar a versão mais antiga para sempre? Você morre de raiva quando viaja, lota sua câmera de fotos e, na hora de descarregá-las no computador, lembra-se que precisa de um tal cd de instalação que ficou na sua casa? Você não entende porque as pessoas trocam de celular a cada novo aplicativo lançado sendo que elas não vão nem usá-lo?
Li um artigo esses dias na revista Wired que fala exatamente sobre isso: the Good Enough Revolution: When Cheap and Simple is just fine. Segundo o autor, Robert Capps, devemos nos fazer as seguintes perguntas a respeito de novos produtos: é simples conseguir o que se deseja com tal tecnologia? Está disponível à todo tempo em qualquer lugar, qualquer horário (ou o mais próximo possível)? É tão barato que você nem tem que se preocupar com o preço? Praticidade no uso, constante disponibilidade e preço baixo são 3 importantes regras para se garantir as vendas.
Pense no caso dos softwares. Antes você o comprava, instalava e atualizava constantemente para ter sempre a versão mais completa. Agora, com novos serviços (o gmail e o zoho writer, por exemplo), as pessoas recorrem à internet para resolver pequenas tarefas como redigir um texto, fazer tabelas ou enviar um e-mail. Mesmo que estes recursos possuam várias limitações: não acessam diretamente o seu drive e dependem da conexão da internet e de um bom browser para sua melhor performace.
Talvez o melhor exemplo para ilustrar o que significa”suficientemente bom” seja, de fato, o mp3. Poder carregar toda uma biblioteca musical no bolso, guardá-la no computador e transferí-la pela internet foi muito mais revolucionário do que garantir a excelente qualidade do som de nossas músicas preferidas.
Cada vez mais lemos notícias em blogs (mesmo não sabendo se a fonte é totalmente confiável); fazemos ligações de longa distância pelo skype (mesmo com delay), e assistimos à mais vídeos no youtube do que na televisão (mesmo em telas pequenas e dependendo de uma boa conexão). Fato é que para muitos menos é mais e, em tempos de crise, o suficiente.