Não me esqueço do primeiro dia da minha aula de desenho. Minha professora me levou até uma planta e perguntou: ” Ana, qual a cor que você vê?”. Eu disse: “verde”. E ae ela me mostrou que existe amarelo no verde, azul no verde e até vermelho.
Anos depois, eu encontrei esse mesmo diálogo lendo o livro “Moça do Brinco de Pérola“. Vermeer pergunta à criada qual a cor das nuvens e ela descobre que no branco existem muitas outras cores.

Não me esqueço da primeira vez que vi As Meninas, de Velasquez. Aos 14 anos alguém me puxou pelo punho de um lado para outro da sala para que meus olhos seguissem a dinâmica perspectiva da parede lateral do quadro. De 45, 90 a 135 graus a linha foi ficando cada vez mais aberta e, então, eu entendi o que era arte.

Pois o mesmo ocorreu à pouco, quando observei a parede de Adriana Varejão em Inhotim e suas linhas diagonais me acompanhavam ao canto do olho.
Não me esqueço jamais da primeira entrevista que vi de Vik Muniz. Luana Piovani ainda apresentava um programa na MTV, o Tudo de Bom, e entrevistava-o como se ele fosse mais um artista-turista em NY à procura de sua grande chance. Foi quando vi fotos de seus desenhos de açucar, seus olhos azuis e me apaixonei.

Há alguns dias eu estava em frente à este mesmo quadro, na exposição retrospectiva do trabalho do artista, fixando o olhar em cada detalhe.
E, definitavamente, não me esqueço da primeira vez que ouvi Bach no violoncelo; quando coloquei o cd de Yo Yo Ma tocando Cello Suite No. 1 no volume máximo; quando, em uma cena do filme O Pianista, a celista tocava essa música e eu desabava em lágrimas no cinema.

Pois ontem, no espetáculo BACH do Grupo Corpo, vi dançarinos frenéticos dançando ao som da música que me toca por onde eu vá. E não me contive de felicidade!
Existem momentos que mudam nosso olhar pra sempre e eu os guardo com carinho.





LINDO post! Me pareceu muito verdadeiro e profundo. Parabéns!
Obrigado Luciana!! Eu tbm amo maple syrup