Arquivados em: setembro de 2010
Thirty years of Japanese Fashion
Trinta anos da influência da moda japonesa na moda Ocidental. Uma exposição imperdível na Barbican Gallery. Quero ir! [via]

LFW: Acne






O branco é o novo pretinho básico, né? Entendi. Só me explica esta coleção da ACNE? Amei! #CommedesGarçonsfeelings
Serge Gainsbourg
Dos posts mais queridos deste blog, sem dúvida, é este aqui, escrito pela minha professora Angélica. E não é que ela voltou a me mandar um outro texto incrível? Desta vez o tema é o filme sobre o músico, cantor e compositor francês Serge Gainsbourg, que escreveu canções para cantoras famosas como Juliette Gréco, Brigitte Bardot e para sua esposa Jane Birkin. A relação entre música e moda, a discussão sobre o corpo na década de 1960, a estética dândi e muitas outras referências recheiam o delicioso filme de Joann Sfar. (Adorei o filme! A Angélica bem que podia postar todo mês por aqui, o que vocês acham?!)
Talvez a nova geração não conheça Serge Gainsbourg ou tenha apenas a vaga impressão de ser uma espécie de ‘Roberto Carlos francês’… Mas esta inferência é extremamente incorreta.
Gainsbourg pode ser definido como o ‘herói sem função da nossa sociedade de massas’. Ele é o nosso ‘Hércules sem emprego’ , ou seja, o típico dândi decadente da modernidade descrito por Charles Baudelaire. Soube transpor para o seu trabalho o típico ‘satanismo’ de um herói decante ironizando o comportamento moral da ‘boa sociedade’ burguesa. Nosso dândi encarnou o Zeitgeist de sua contemporaneidade, representando as transgressivas paixões do espírito que permeavam não só o trabalho, mas a vida do artista sem função.
O filme de Joann Sfar é híbrido e pouco biográfico, mas muito importante para percebemos a fusão entre moda e música desde os anos 50. O ator Eric Elmosnino, que interpreta Serge, conseguiu mimetizar a postura da elegante decadência Dandy. Gainsbourg possuía um estilo inconfundível, mesclando terno e uma T-shirt, traduzindo a fusão de estilo advindo das influências musicais do Bebop e do Mod.

Talvez o acessório mais importante a ser lembrado seja o sapato branco “Zizi”, da Repetto. Este modelo, criado por Rose Repetto para a bailarina Zizi Jeanmaire praticar jazz, foi adotado por Gainsbourg nos anos 1970 por ser extremamente confortável. Este modelo tornou-se um modismo no último verão francês e é também um ícone da elegância boêmia dândi.


Jane Birkin traz para o filme a discussão sobre o corpo e de como sua exposição era uma referência à liberdade nos anos 1960/70. Algumas peças são clássicas na história da moda, como o tubinho micro e transparente e o cesto de vime que utilizava como bolsa (o que justificava o uso do cesto era a ausência de uma bolsa na qual coubessem seus pertences. Por causa disso, a Hermès criou o modelo Birkin).
![jane-birkin-20070529-262938[1]](http://www.anamappe.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/09/jane-birkin-20070529-2629381.jpg)

Apesar de toda a polêmica que envolveu a produção do filme – originada por conta da grande liberdade na construção da narrativa –, “Serge Gainsbourg: Vie Héroïque” é um excelente referencial para quem gosta de história da moda. Podemos relembrar como o próprio Serge Gainsbourg, Boris Vian, Juliette Greco, Brigitte Bardot e Jane Birkin foram importantes para a moda exatamente porque a transgrediram. Estas personagens nos mostram que a imagem de um artista não tem de ser alegórica para fazer ou apresentar a moda. Cada um destes ícones nos ensinou que a visão de mundo, os modos de vida e as práticas cotidianas que transgridem o senso comum são em si mesmos a própria moda.
Talvez uma das mais belas passagens do filme seja a referência a influência da obra de Boris Vian no trabalho de Serge Gainsbourg representado pelo dueto em “Je Bois / Intoxicated Man”. Sensivelmente o diretor Joann Sfar nos mostra como o contra-senso, a ironia e a ‘risada satânica’ são fundamentais no processo de criação e na obra de Serge Gainsbourg.







































