A Pattern a Day está de férias! Quem posta por aqui hoje é o querido Gui, designer talentoso que edita o blog-dos-sonhos Turquoise!
Há uns tantos dias, vi na televisão uma reportagem sobre a prévia aprovação da “Lei da Felicidade”. Caso seja aprovada definitivamente, essa lei incluirá na Constituição brasileira o direito à busca pela felicidade. Quando vi essa notícia, lembrei-me de um post que li aqui nesse blog há um tempo, chamado “O imperativo da felicidade“. Nele, a Ana escreveu sobre essa imposição feliz que vivemos hoje, essa crise de paixões desmedidas, de inspirações infidáveis, de momentos únicos publicados via instragram. A tristeza virou uma doença contagiosa, e agora por lei, você poderá exigir como direito a sua busca pela felicidade. Mas seria tão simples assim? A felicidade é um direto irrevogável, ou um processo?
Nos anos em que o bem-estar se confunde com realização profissional, uma vida romântica movimentada e uma publicitação do sucesso pessoal, esquece-se cada vez mais que há momentos que todas as luzes apagam. No blog Juntar os cacos, o autor fala que hay gente que si e gente que no. A gente que sim, “aqueles que baixam até bem fundo, para os porões de dentro e têm a coragem de acender a luz. De ver o que não é bonito. De tirar o lençol dos seus fantasmas e enxergar seus rostos. Tão embaixo conseguem descer, que chegam a encontrar ali o diabo andando de bicicleta, brincando em seu playground. Há gente que fez esse processo.”
E é isso, viver como gente que não, na ilusão de que a vida é um carrossel colorido, nos faz viver na superficialidade das coisas. Gosto muito de um álbum chamado “Sea Change”, do Beck. As composições são completamente influenciadas por um fim de relacionamento e o disco foi considerado um marco na carreira do cantor. São canções tristes de um momento triste. Mas que permitiram-o mudar, “celebrar a tristeza” também é uma forma de superá-la. Talvez mais do que negar.
Em um post recente no blog O Purgatório, Camilla Costa comenta sobre essa relação entre o que fazemos e nossa realização (ou felicidade?): “como eventualmente aprendemos, o nosso trabalho diário, ou aquele que fazemos para pagar as contas, não precisa ser aquilo que nos realiza completamente. Querer que o trabalho nos realize – ou o casamento, pela mesma lógica – costuma fazer com que qualquer frustração ou período de desmotivação pareça intolerável e mais trágico do que é na verdade.”
Talvez seja o excesso de leitura de romances, ou muita televisão, mas além de imperativa, espera-se que a felicidade hoje brote por todos os lados da vida: pelo trabalho, pelos relacionamentos, até por direito constitucional. Mas que não, talvez na vida real, ela seja só uma busca infindável de momentos, um processo de maturação. É como o trabalho de criação: procuramos sempre o novo, não inventando, mas criando novas conexões entre coisas que existem, já estão prontas por aí. Mas antes disso há um processo: pesquisa, angústia, falhas, tentativas frustradas. Para mim, nunca vão convencer que será tão fácil quanto um jogo de ligar pontos.





