Páginas Vermelhas de Éder Oliveira

Maria era o nome dela. Entre as pernas do pai se escondeu mas foi logo arrastada até perto de nós. “Você é o artista, não é?” perguntou o pai à Éder Oliveira, quem visitávamos na abertura de sua exposição individual. “Maria gostaria de te fazer uma pergunta. Esses quadros, você acabou de pintar? Ela acha que estão ainda frescos, mas eu disse a ela que você deve ter dado algum tratamento estético para o vermelho ficar assim: tão vivo!”.

Não. Maria estava certa. A tinta estava tão fresca como o trabalho de Éder.  O vermelho era tão vivo como os homens ali retratados.

De forma orgânica e especialmente daltônica, Éder enxerga as nuances tão importantes ao se falar sobre cor. Páginas Vermelhas, que abriu hoje na Galeria Blau Projects em São Paulo, é sobre cor. Cor, etnia, raça, pele. O homem amazônico que o artista paraense insiste, felizmente, em pintar. Recortados de jornais locais, eles são apenas a primeira camada de suas obras. As inúmeras, finas e veladas demãos que se seguem são as que realmente dão forma a esse homem vivo. Monocromático. Visto de longe, é vermelho. De perto, é amarelo, é azul, é muitos. Na variação de tons, Éder torna visível: cada camada, cada nível, cada classe.

Alguns ainda olham para a arte apenas através da estética. Alguns tem olhos de Maria. Ufa.

Até 03 de outubro de 2015 na Blau Projects, Rua Fradique Coutinho, 1464.

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