arquitetura

Da Bahia a Espanha, um castelo em Paraisópolis

Eu ouvi histórias sobre um “graudí brasileiro” há tempos. Eu só não me lembrava que ele morava aqui, em São Paulo mesmo. Talvez tenha sido o resquício do seu sotaque baiano ou a recepção extremamente calorosa de sua esposa, da mesma terra, que me deixaram a impressão que alí não era mesmo Paraisópolis.

Estevão Silva trabalha em um condomínio em Pinheiros. Troca lâmpadas, faz reparos na parte elétrica do prédio e cuida do que mais gosta, o jardim. Quem pede para ele fazer um reparo aqui e ali, não deve imaginar o que ele cria em casa.

É preciso atravessar a marginal, passar pelas mansões de quarteirões inteiros no Morumbi, até chegar ao seu real palácio. A porta de sua casa é pesada, cheia de pedrinhas. Gostoso mesmo é sentar-se à sua mesa da sala de estar. Os pires de diferentes tamanhos, colados no cimento de maneira despreocupada são perfeitos para a ocasional cervejinha com os amigos. “Cabe certinho, veja”, diz Estevão completando “é minha peça favorita da casa”.

Talvez os olhos dos visitantes brilhem pela similaridade de seu trabalho com o do arquiteto Gaudí. Mas eu confesso que os meus ficaram encantados foi com o quarto do casal, repleto de ornamentos coloridos de madeira, recortados e colados na parede verde. Fico pensando, como é possível fechar os olhos e dormir. Mas para que fechá-los se você pode sonhar alto com cada uma das formas em cada canto do quarto?

Pois são as crianças, elas sim, que ficam enlouquecidas nas visitas. Não é para menos, se os ingressos se esgotaram para ver Castelo Ratim Bum no MIS, que façam fila para ver o de Estevão em Paraisópolis!

 

Comente | Categoria(s): arquitetura, arte

E ai meu olho brilhou…por Débora Andreucci

Luz interna, luz externa
Luz natural, luz artificial
Vermelha, azul, branca, amarela
Luz do sol
Ilumina meu dia
Minha alma sorri
Meu olho brilhou
Meia luz
Não tem como não se apaixonar
Feche os olhos e se faz sonhar

[fotos do Pinterest e Miss Moss]

Comente | Categoria(s): arquitetura, interiores

Casa de Vidro, Lina Bo Bardi

Neste final de semana, realizei um sonho: conhecer a Casa de Vidro, da arquiteta Lina Bo Bardi. [Parte da exposição O interior está no exterior]

A Casa de Vidro é um marco da arquitetura de São Paulo, construído por Lina Bo Bardi, em 1951 para a residência do casal. O jardim da casa, em um terreno de 7.000 m2, no Morumbi, é raro exemplo de conservação da mata brasileira.É na Casa de Vidro que hoje funciona o Instituto Lina Bo e P.M. Bardi, criado em 1990, por uma decisão pessoal de Bardi, com o apoio de Lina. O acervo pessoal, reunido pelo casal ao longo de sua vida, foi doado para o Instituto, com o objetivo de promover, pesquisar e divulgar os campos da arte e da arquitetura no Brasil. É constituído de obras de arte, móveis, documentos, objetos, cerca de 7.500 desenhos de Lina e 17.000 fotografias, além do arquivo pessoal de ambos, significativos para a cultura do Brasil.

Este acervo dos Bardi transcende o aspecto pessoal, pois carrega o raro testemunho de dedicação e generosidade para com o povo brasileiro, o interesse genuíno para as características da nossa cultura, favorecendo a memória de uma fase importante da nossa história. 

Tombada pelo CONDEPHAAT em 1987, e mais tarde também pelo IPHAN, como patrimônio histórico, a casa tornou-se um ponto de visita obrigatório para arquitetos internacionais e fonte de pesquisa para estudiosos. O Instituto promove exposições, encontros, palestras, visitas, publicações e vídeos.

O INTERIOR ESTÁ NO EXTERIOR
QUANDO ter. a dom., 11h às 17h (últimas senhas entregues até as 16h); até 30/5
ONDE Casa de Vidro (r. Gal. Almério de Moura, 200, tel. 011-3744-9902)

Comente | Categoria(s): arquitetura

ABC dos arquitetos

Para todos os arquitetos <3

 

Comente | Categoria(s): arquitetura, video

Piseagrama

Atlas Ambulante from piseagrama on Vimeo.

Varais from piseagrama on Vimeo.

Você conhece a publicação PISEAGRAMA? Sobre Espaços Públicos: existentes, urgentes, imaginários. PISEAGRAMA é uma das quatro revistas selecionadas pelo Edital Cultura e Pensamento do Ministério da Cultura em 2010. De periodicidade bimestral e tiragem de 10.000 exemplares, é distribuída gratuitamente em mais de 30 cidades de todo o Brasil. Feita pelo Instituto Cidades Criativas editada por Fernanda Regaldo, Renata Marquez, Roberto Andrés e Wellington Cançado.

Entrevista do jornalista Daniel Toledo com o editor da publicação Roberto Andrés:

Arquiteto e mestre em arquitetura pela UFMG, Roberto Andrés é editor da revista “Piseagrama”, ao lado de Fernanda Regaldo, Renata Marquez e Wellington Cançado. Viabilizada pelo programa Cultura e Pensamento, do Ministério da Cultura, a revista dedica-se às relações entre arte, arquitetura e política e será lançada hoje, em um piquenique realizado ao ar livre na rua Sapucaí.

Vocês descrevem a revista “Piseagrama” como uma plataforma de investigação das possibilidades de compartilhar, imaginar e produzir as cidades. Quais foram as principais motivações para a criação de uma revista dedicada a essas questões?

A motivação inicial foi certamente a situação do espaço público nas cidades contemporâneas brasileiras. Todos nós temos esse incômodo com a transformação dos espaços públicos em meras conexões entre lugares privados, com esse esgarçamento da ideia do que é compartilhar uma cidade. Acreditamos que o que é público deve ser usado, e não deixado de lado. Aliás, vem daí o nome da revista. A grama deve ser usada, assim como os parques. Essa obsessão sobre não poder pisar na grama, por exemplo, eu nunca vi em outro lugar. Construímos nossa noção de urbanidade a partir de várias influências, dentre as quais os shoppings norte-americanos e os parques europeus, mas parece que alguma coisa se perdeu no caminho e acabamos criando uma maneira muito curiosa de lidar com a natureza dentro da cidade.

A revista tem uma interdisciplinaridade muito grande, abordando a vida urbana a partir de diversas perspectivas. Como você define o escopo atual da revista?

Para começar, cada um de nós vem de formações e experiências diferentes, que perpassam campos como artes, arquitetura, geografia e ciência política. Nesse sentido, é muito natural que a revista tenha essa característica multidisciplinar. Por outro lado, há interesses muito claros e muito compartilhados entre nós. Um deles é pensar a arte a partir das questões do mundo, e não em sua relação com a história da arte. Queremos lidar com as questões do mundo, e a arte é um de alguns campos que elegemos para fazer isso. Compartilhamos, para além disso, uma perspectiva política bem clara, que conduz a revista e corresponde à ideia de estimular a ocupação do espaço público.

“Acesso” é o tema do primeiro número da revista. A partir de que perspectivas o tema é abordado?

Nossa ideia inicial era tratar de mobilidade urbana, ou seja, de acesso à cidade. Como deve acontecer em todas as edições, trouxemos várias perspectivas sobre o tema, expandindo a discussão para o acesso à moradia, à internet, à informação etc. Entre os textos selecionados para o primeiro número, há quatro artigos sobre artistas que exploram esse tipo de questão, dentre os quais uma fotógrafa basca que, subvertendo fatos urbanos, criou um ensaio a partir de um engarrafamento de 200 carros. Há ainda artigos mais políticos e relacionados à gestão urbana, que remetem a cidades como Bogotá, a qual passou recentemente por uma grande transformação. Nesse mesmo sentido, há um artigo inédito escrito pelo Lúcio Gregório, que foi secretário de Transportes da Luiza Erundina (em São Paulo) e propôs, na época, um sistema de transporte público que fosse pago indiretamente, como é o caso do lixo e da iluminação pública. Ao longo do artigo, ele tenta pensar na revolução que seria locomover-se “de graça”, apresentando, inclusive, exemplos de cidades onde isso acontece.

A revista vai ser lançada durante um piquenique urbano idealizado pelo Wellington Cançado, que também é editor. De que modo esse evento se relaciona com a proposta editorial da revista?

Em primeiro lugar, o piquenique acontece na rua (Sapucaí, em Santa Tereza, a partir das 12h), o que já tem tudo a ver com a nossa proposta. Ele é colocado como possibilidade de usufruir, ainda que por tempo restrito, de um espaço destinado aos carros. Esse espaço vai ser coberto por 250 metros de grama, permitindo que as pessoas se sentem, estendam suas toalhas e experimentem a sensação de pisar na grama, de estar ali, num espaço público. Além do lançamento da revista e da sua distribuição gratuita, haverá feirinha de arte, artesanato e design. Tudo ao ar livre.

Nos últimos tempos, temos vivido em Belo Horizonte uma série de polêmicas e debates relacionados à regulação e à ocupação do espaço público. Como você analisa esse momento?

Acho que a cidade passa por um momento muito simpático para o lançamento da revista, com eventos como o Carnaval de rua e a Praia da Estação. Por outro lado, toda essa movimentação tem um lado muito curioso: quando o governo local se torna mais conservador, mais pesado e fechado para o diálogo, alguns grupos acabam avançando na sua maneira de se organizar e se contrapor a esse governo. É ótimo que isso esteja acontecendo, mas seria importante que essas ações se expandissem, se consolidassem e deixassem de funcionar como reações – o que, aliás, já vem acontecendo em alguns casos. É muito bom ver o centro sendo reocupado por eventos como o Duelo de Mcs e espaços como o Nelson Bordello e a sede do Espanca!, entre outros. Espero que a “Piseagrama” surja como mais uma força nessa mesma direção.

De que maneiras você acredita que a revista pode contribuir para novas culturas urbanas?

Algo que a revista realmente pode fazer é expandir a imaginação das pessoas, pois as práticas de gestão e ocupação estão sempre ligadas àquilo que a gente conhece. O nosso tema são as cidades brasileiras e as questões que afetam essas cidades. Para tratar disso, é interessante investigar o que acontece aqui e também em outras cidades e países, investigar de que maneira algumas cidades estão tirando os carros das ruas, abrindo espaço para o transporte público e as bicicletas, por exemplo. Queremos oferecer sempre uma geografia diversa de colaboradores, para que a coisa não seja local e, ao mesmo tempo, não seja subserviente, como se só aquilo que vem de fora fosse válido. Esse número traz, por exemplo, o artigo de um arquiteto sueco que veio morar em Belo Horizonte durante três meses. Nesse artigo, ele reflete sobre a questão da mobilidade por aqui, a qual realmente aparece como um problema. Enquanto na cidade dele há um mapa que organiza todo o sistema de transporte, com trem, metrô e barco, aqui em Belo Horizonte não existe sequer um mapa com todas as linhas de ônibus.

Por fim, qual é a sua visão sobre o lugar da arquitetura e dos arquitetos em meio a essa discussão sobre a ocupação dos espaços da cidade?

Talvez seja um bom momento para que os arquitetos voltem-se menos para a construção e mais para o pensamento, para a invenção de novos modos de usar aquilo que já está construído. Evidência disso é um estudo realizado por um colega meu, o qual revelou que, para suprir a demanda de moradia, não é necessária a construção de mais nenhuma casa. Por meio desse estudo, concluiu-se que o número de imóveis vazios praticamente corresponde ao número de pessoas que não tem imóveis. Sendo assim, os estudantes de arquitetura, que geralmente ficam muito voltados à construção, poderiam se voltar mais a como usar, como subverter e reorganizar os espaços atuais. Em muitos casos, a construção acaba sendo uma possibilidade pouco transformadora e pouco propositiva quando comparada a outras possibilidades de atuação.

Painéis por Neute-Chvaicer

Apaixonada:

Os painéis que construímos se assemelham aos painéis encontrados em lojas de material elétrico, que servem para expor as lâmpadas. Lembram as caixas de luz que temos em nossas casas, embutidas na parede, e que comandam o circuito elétrico da casa. Se parecem também com os desenhos de anatomia dos livros de medicina, com seus esquemas e suas vísceras de cores irreais. São máquinas feitas para iluminar, que exibem as marcas da sua construção, mas, ao mesmo tempo, se distanciam do design funcionalista.

Nós usamos os materiais industriais que podemos encontrar nas lojas, que já vem embutidos com a técnica. Um simples parafuso, por exemplo, é um manual de instruções dele mesmo. Construímos nossas luminárias aprendendo com os materiais e com as ferramentas, que são uma fonte inesgotável de trabalho. O processo produtivo dos painéis é manual, demorado e perdulário. Nós experimentamos e aprendemos pequenas coisas construindo cada objeto, por isso não repetimos, fazemos peças únicas.

O que queremos fazer não é mais que imitar as ferramentas e objetos que usamos toda a vida e aprendemos que são bons. Mas os bons objetos têm neles mais coisas do que se sabe, ou do que se pode planejar. Uma casa não é feita só de paredes e teto. Sim, o objeto construído é arquitetura. Entretanto, e mais do que tudo, o uso – como construção das pessoas que habitam a casa – é que faz a arquitetura.

Nas instalações elétricas de uma casa temos muitas vezes uma relação distante com a iluminação. Ligamos o interruptor na parede ao lado da porta e raramente paramos para pensar em como é essa luz artificial que usamos. Uma luz que vem pela lateral é completamente diferente de uma luz que vem de cima, que é totalmente diferente de uma luz que é rebatida em uma superfície ou que ilumina os objetos diretamente. A maneira como se ilumina é um fator fundamental na construção do espaço.

Nos painéis, a pessoa tem uma relação direta com a lâmpada, que se mostra como elemento principal do objeto. Assim, o painel muda com a escolha das lâmpadas. Não há como ter um painel na sala e não prestar atenção em que tipo de lâmpada se está usando para iluminar o que quer que seja. Na hora de apertar o botão já se impõe uma escolha. Indica que você pode se apropriar da arquitetura. 

Rafael Chvaicer e Ana Neute

 

1 Comentário | Categoria(s): arquitetura, produto

Playground Infinito por Mesa&Cadeira#5

Pré – projeto Playground Infinito from mesa&cadeira on Vimeo.

Esse blog apoia e acredita no projeto Mesa&Cadeira. O último workshop foi liderado pelo arquiteto e designer Marko Brajovik e uma equipe de 12 profissionais para realizar um projeto incrível e CONCRETO: criar um playground para uma creche de 100 crianças na Favela do Moinho. O resultado é uma proposta inovadora e que pode ser aplicada em outras creches. Se tudo isso já não basta para você querer apoiar esse projeto, existem várias outras contrapartidas irresistíveis, entre elas objetos do coletivo Amor de Madre, posters do Anthony Burrill feitos na mesa&cadeira#2 e até uns contatos da super Bárbara Soalheiro! Corre lá e participe ;]

1 Comentário | Categoria(s): arquitetura, produto

The D.I.Y House by Asylum

Asylum criou essa casa feita de fita isolante colorida, faça você mesmo. [via]

São Paulo: Tame Impala no Cine Jóia

Quando eu decidi passar as férias em São Paulo, foi bem por essa desculpa: “vai ter show do Tame Impala em plena quarta-feira”. Eu fui pela banda australiana (AMO) mas não imaginava que fosse me apaixonar tanto pela casa de shows, o Cine Jóia. Que delícia é ver os ídolos de pertinho num show para poucas pessoas, com espaço suficente para dançar – repito: dançar -, entre vários fãs!

A cidade é do tamanho que a gente quer

Talvez você não entenda uma mineira perguntando aos paulistas: “O que você ama em São Paulo?”. Mas a ideia do projeto, feito em São Paulo, não é exatamente sobre São Paulo. Claro, amar a capital do caos é difícil e reforçar alguma pontinha de amor é um exercício diário! Mas isso vale para qualquer lugar. “O que você ama em Belo Horizonte?” poderia ser a minha pergunta. “O que você ama em Brasília?” poderia ser outra.

Por isso mesmo eu me encantei com a idéia do blog da Dani e da Carol, o Quadrado: a cidade é do tamanho que a gente quer. São Paulo já foi um quadrado tão grande que me engoliu, Belo Horizonte já foi um quadradinho minúsculo – que eu mal enxergava – e Berlim já foi do tamanho exato do meu coração. Mas estas escalas alteram proporcionalmente aos momentos da minha vida. Belo Horizonte já foi do tamanho do meu coração, Berlim muito grande e São Paulo um quadrado cheio de amigos.

Então, não importa onde você mora, procurar o que se ama na cidade em que vive é o importante. Ocupar a cidade de uma maneira diferente pode transformá-la em algo muito muitooo muitoooo melhor. Tente! Se pergunte: “O que eu amo na minha cidade?” e vai lá se descobrir.

Related Posts with Thumbnails