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Piseagrama
Atlas Ambulante from piseagrama on Vimeo.
Varais from piseagrama on Vimeo.
Você conhece a publicação PISEAGRAMA? Sobre Espaços Públicos: existentes, urgentes, imaginários. PISEAGRAMA é uma das quatro revistas selecionadas pelo Edital Cultura e Pensamento do Ministério da Cultura em 2010. De periodicidade bimestral e tiragem de 10.000 exemplares, é distribuída gratuitamente em mais de 30 cidades de todo o Brasil. Feita pelo Instituto Cidades Criativas editada por Fernanda Regaldo, Renata Marquez, Roberto Andrés e Wellington Cançado.

Entrevista do jornalista Daniel Toledo com o editor da publicação Roberto Andrés:
Arquiteto e mestre em arquitetura pela UFMG, Roberto Andrés é editor da revista “Piseagrama”, ao lado de Fernanda Regaldo, Renata Marquez e Wellington Cançado. Viabilizada pelo programa Cultura e Pensamento, do Ministério da Cultura, a revista dedica-se às relações entre arte, arquitetura e política e será lançada hoje, em um piquenique realizado ao ar livre na rua Sapucaí.
Vocês descrevem a revista “Piseagrama” como uma plataforma de investigação das possibilidades de compartilhar, imaginar e produzir as cidades. Quais foram as principais motivações para a criação de uma revista dedicada a essas questões?
A motivação inicial foi certamente a situação do espaço público nas cidades contemporâneas brasileiras. Todos nós temos esse incômodo com a transformação dos espaços públicos em meras conexões entre lugares privados, com esse esgarçamento da ideia do que é compartilhar uma cidade. Acreditamos que o que é público deve ser usado, e não deixado de lado. Aliás, vem daí o nome da revista. A grama deve ser usada, assim como os parques. Essa obsessão sobre não poder pisar na grama, por exemplo, eu nunca vi em outro lugar. Construímos nossa noção de urbanidade a partir de várias influências, dentre as quais os shoppings norte-americanos e os parques europeus, mas parece que alguma coisa se perdeu no caminho e acabamos criando uma maneira muito curiosa de lidar com a natureza dentro da cidade.
A revista tem uma interdisciplinaridade muito grande, abordando a vida urbana a partir de diversas perspectivas. Como você define o escopo atual da revista?
Para começar, cada um de nós vem de formações e experiências diferentes, que perpassam campos como artes, arquitetura, geografia e ciência política. Nesse sentido, é muito natural que a revista tenha essa característica multidisciplinar. Por outro lado, há interesses muito claros e muito compartilhados entre nós. Um deles é pensar a arte a partir das questões do mundo, e não em sua relação com a história da arte. Queremos lidar com as questões do mundo, e a arte é um de alguns campos que elegemos para fazer isso. Compartilhamos, para além disso, uma perspectiva política bem clara, que conduz a revista e corresponde à ideia de estimular a ocupação do espaço público.
“Acesso” é o tema do primeiro número da revista. A partir de que perspectivas o tema é abordado?
Nossa ideia inicial era tratar de mobilidade urbana, ou seja, de acesso à cidade. Como deve acontecer em todas as edições, trouxemos várias perspectivas sobre o tema, expandindo a discussão para o acesso à moradia, à internet, à informação etc. Entre os textos selecionados para o primeiro número, há quatro artigos sobre artistas que exploram esse tipo de questão, dentre os quais uma fotógrafa basca que, subvertendo fatos urbanos, criou um ensaio a partir de um engarrafamento de 200 carros. Há ainda artigos mais políticos e relacionados à gestão urbana, que remetem a cidades como Bogotá, a qual passou recentemente por uma grande transformação. Nesse mesmo sentido, há um artigo inédito escrito pelo Lúcio Gregório, que foi secretário de Transportes da Luiza Erundina (em São Paulo) e propôs, na época, um sistema de transporte público que fosse pago indiretamente, como é o caso do lixo e da iluminação pública. Ao longo do artigo, ele tenta pensar na revolução que seria locomover-se “de graça”, apresentando, inclusive, exemplos de cidades onde isso acontece.
A revista vai ser lançada durante um piquenique urbano idealizado pelo Wellington Cançado, que também é editor. De que modo esse evento se relaciona com a proposta editorial da revista?
Em primeiro lugar, o piquenique acontece na rua (Sapucaí, em Santa Tereza, a partir das 12h), o que já tem tudo a ver com a nossa proposta. Ele é colocado como possibilidade de usufruir, ainda que por tempo restrito, de um espaço destinado aos carros. Esse espaço vai ser coberto por 250 metros de grama, permitindo que as pessoas se sentem, estendam suas toalhas e experimentem a sensação de pisar na grama, de estar ali, num espaço público. Além do lançamento da revista e da sua distribuição gratuita, haverá feirinha de arte, artesanato e design. Tudo ao ar livre.
Nos últimos tempos, temos vivido em Belo Horizonte uma série de polêmicas e debates relacionados à regulação e à ocupação do espaço público. Como você analisa esse momento?
Acho que a cidade passa por um momento muito simpático para o lançamento da revista, com eventos como o Carnaval de rua e a Praia da Estação. Por outro lado, toda essa movimentação tem um lado muito curioso: quando o governo local se torna mais conservador, mais pesado e fechado para o diálogo, alguns grupos acabam avançando na sua maneira de se organizar e se contrapor a esse governo. É ótimo que isso esteja acontecendo, mas seria importante que essas ações se expandissem, se consolidassem e deixassem de funcionar como reações – o que, aliás, já vem acontecendo em alguns casos. É muito bom ver o centro sendo reocupado por eventos como o Duelo de Mcs e espaços como o Nelson Bordello e a sede do Espanca!, entre outros. Espero que a “Piseagrama” surja como mais uma força nessa mesma direção.
De que maneiras você acredita que a revista pode contribuir para novas culturas urbanas?
Algo que a revista realmente pode fazer é expandir a imaginação das pessoas, pois as práticas de gestão e ocupação estão sempre ligadas àquilo que a gente conhece. O nosso tema são as cidades brasileiras e as questões que afetam essas cidades. Para tratar disso, é interessante investigar o que acontece aqui e também em outras cidades e países, investigar de que maneira algumas cidades estão tirando os carros das ruas, abrindo espaço para o transporte público e as bicicletas, por exemplo. Queremos oferecer sempre uma geografia diversa de colaboradores, para que a coisa não seja local e, ao mesmo tempo, não seja subserviente, como se só aquilo que vem de fora fosse válido. Esse número traz, por exemplo, o artigo de um arquiteto sueco que veio morar em Belo Horizonte durante três meses. Nesse artigo, ele reflete sobre a questão da mobilidade por aqui, a qual realmente aparece como um problema. Enquanto na cidade dele há um mapa que organiza todo o sistema de transporte, com trem, metrô e barco, aqui em Belo Horizonte não existe sequer um mapa com todas as linhas de ônibus.
Por fim, qual é a sua visão sobre o lugar da arquitetura e dos arquitetos em meio a essa discussão sobre a ocupação dos espaços da cidade?
Talvez seja um bom momento para que os arquitetos voltem-se menos para a construção e mais para o pensamento, para a invenção de novos modos de usar aquilo que já está construído. Evidência disso é um estudo realizado por um colega meu, o qual revelou que, para suprir a demanda de moradia, não é necessária a construção de mais nenhuma casa. Por meio desse estudo, concluiu-se que o número de imóveis vazios praticamente corresponde ao número de pessoas que não tem imóveis. Sendo assim, os estudantes de arquitetura, que geralmente ficam muito voltados à construção, poderiam se voltar mais a como usar, como subverter e reorganizar os espaços atuais. Em muitos casos, a construção acaba sendo uma possibilidade pouco transformadora e pouco propositiva quando comparada a outras possibilidades de atuação.
Everything I Wish I Could Be
Apaixonada por este projeto. Kent Rogowski fez esta série de colagens de títulos de livros de autoajuda para criar portraits de pessoas, eventos e emoções na vida:

From Birth to Death

Yesterday, Today and Tomorrow

There Is A Rainbow

Let Yourself Go [via]
COLORS MAGAZINE AT MESA&CADEIRA








A Colors Magazine desenvolveu um guia sobre como sobreviver em São Paulo no workshop mesa&cadeira em outubro. 200 milhões de pessoas e um bom sabonete chama dinheiro!
Masha Reva




“Becoming a part of virtual reality, a computer data, we merge within the boundless informational field that is internet. The situation within the visual stream we deal with every day — from one point it is related to the layering of information within our mind, from the other, it has a certain connection with print” [via]
Diner Journal





Para quem ama cultura e gastronomia, Diner Journal
O que você ama em São Paulo?








Visitar São Paulo é motivo de recordar uma vida que já tive, caminhar pelas ruas de pinheiros, estudar o céu para decifrar o clima, almoçar no Do, comer a sobremesa da Brigadeiro, descobrir uma nova vila, encontrar com os amigos durante a semana, visitar uma longa lista de exposições, ir ao Ibirapuera e me inspirar.
Eu amo tudo isso que listei acima. Mas sempre tem o trânsito pra desanimar os encontros, a violência para cortar o clima, as filas para desistir das exposições e a distância para interromper as caminhadas. Tá lá, sempre, o lado chato das coisas.
Mas, então, o que você ama em São Paulo? Eu amo ter voz e ser ouvida. Voltar para Belo Horizonte depois de morar por lá foi estranhar muito além do sotaque. Parecia que eu não falava outra língua. Parecia é que ninguém me escutava. Em São Paulo, a reunião de pessoas de todas as partes do Brasil em uma só cidade fortalece a identidade e voz de cada um.
Por isso eu curti tanto a ideia de perguntar às pessoas o que elas amam em São Paulo. Dar voz. Não importa se você só está no aeroporto esperando o próximo vôo pro Rio, se você tem muito a contar mas não sabe escrever ou se você nem mora em São Paulo e veio a trabalho. Sinta-se livre para dizer, que a gente quer ouvir: O que você ama emSão Paulo?
Este projeto foi feito em parceria com a mais doce das pessoas que conheço, a Rafa, e foi resultado do workshop Mesa&Cadeira com os fundadores da incrível It’s Nice That.
Fotos da Alice, Dre e da Rafa.
Birth of a Book
Dirigido por Glen Milner.













