Entrevista de uma Pergunta Só

Entrevista de uma pergunta só: Gnomo Viajante

Hoje eu entrevisto a Carol Moré, amiga virtual (Carol, quando é que a gnt vai se conhecer ao vivo?), dona do delicioso Follow The Colours e de tantos projetos fofos como o Gnomo Viajante. No começo desse ano eu recebi o meu, numa caixinha linda, com presentinho e tudo mais. Desde então, carrego meu gnomo para tudo quanto é lugar para me lembrar sempre que viajar é, sim, o melhor investimento que faço. A Carol fez o #gnomoviajante em parceria com a amiga Raquel e elas respondem:

APAD: Qual o lugar mais legal que o gnomo já visitou?
CAROL E RAQUEL: Tudo começou com a Raquel que trabalha em uma agência de viagens e viaja consideravelmente bastante. Fã do filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” e cansada de viajar sozinha, encomendou um mini Gnomo Viajante de feltro comigo, que também adoro o filme.  No longa francês de Jean-Pierre Jeunet, a jovem Amélie sequestra o anão de jardim da casa do pai, entrega-o a uma comissária de bordo que tira fotos ao redor do mundo e envia pelo correio para o pai de Amélie, que nunca saía de casa. A ideia do Projeto Gnomo Viajante é dar asas à imaginação das pessoas, ao invés de fincar raízes como um gnomo de jardim.

A primeira viagem foi de Ribeirão Preto para o Rio de Janeiro e em poucas semanas, as primeiras fotos e encomendas começaram a chegar. No começo eram nós duas e alguns amigos que viajavam e tiravam as fotos também. Agora as contribuições vêm de todos os lados do mundo. Desde então, cerca de 500 gnomos já deixaram Ribeirão em busca de novas aventuras mundo afora. Já foram 43 países percorridos até o momento (quase 21,5% do mundo) e muitas histórias para contar. Este pequeno aventureiro não tem limites!

Quanto ao lugar mais legal em que o gnomo já foi, é uma pergunta difícil para a gente responder. Porque existem muitos lugares novos, lindos e legais demais! Sair de casa é sempre uma aventura…Dos lugares que a Raquel levou, ela elegeu a Sérvia e Cingapura como os mais inusitados. Na Sérvia foi curioso porque quando ela saiu da capital, dificilmente encontrava alguém que falasse alguma língua em comum. Então era ela, o Gnomo, o caderno, a caneta e muitas mímicas. Das minhas viagens, a que mais me diverti com ele, foi para NY. Quando fui para Arhus, na Dinamarca, me encontrei com a Marie, amiga que fiz via Instagram por conta do Gnomo. Foi bem legal conhecê-la ao vivo e, no final, deixar o Gnomo seguir viagem com ela.

Ficamos empolgadas ao extremo cada vez que chega uma foto nova. Como pensar que o Gnomo Viajante poderia estar numa missão do exército brasileiro no Haiti? Ou passando uma temporada em Bermudas, ou ainda sendo fotografado ao lado de um bebê leão na África do Sul? China, Tailândia, Vietnã, Japão, Bósnia, Tanzânia, Croácia, Eslovênia – o mundo parece não ser o bastante. Estamos vendo a hora em que receberemos uma foto do Gnomo numa estação espacial! rsrs

Sabe aquela frase “Viajar é a única coisa que você compra e que te faz mais rico?”. É isso. O importante é o Gnomo estar passeando, mostrando ao mundo que existem lugares incríveis e que é possível chegar lá. Se um Gnomo pode, todo mundo pode! Muita gente inventa razões para não sair de casa, adia seus planos porque está guardando dinheiro pro futuro, porque está sem tempo, porque não quer passear sozinho. O Gnomo vem pra sacudir todo mundo. Fora que o ele é a companhia perfeita: não paga passagem, não se perde em lojinhas, não reclama de andar muito e ainda adora sair nas fotos!

Pode parecer bobo para alguns, mas temos muito amor nesse projeto. Acho que quem segue as aventuras do Gnomo Viajante percebe isso. <3 No final das contas, não há nada melhor do que celebrar os pequenos prazeres da vida.

Entrevista de uma pergunta só: Leilão de R$1,99

Eu não poderia estar mais animada com a nova série “Entrevista de uma pergunta só” aqui do blog! Dessa vez, quem responde por aqui é o Daniel Toledo do blog de risco, que se descreve no melhor auto-retrato existente. É ele quem comanda o pregão mais animado que existe: O Leilão de Arte de R$1,99. Acompanhado de uma banda, usando uma peruca colorida e munido de um martelo de plástico gigante  Daniel leiloa trabalhos artísticos ao valor mínimo de R$1,99. Se nem esse valor é alcançado, a obra é destruída ali mesmo, com fogo e a marretadas! É nesse cenário hilário e divertido que vários artistas chegam a vender alguns de seus trabalhos até por R$100,00. Dos melhores programas de se fazer em Beagá:

APAD: “O que não anda valendo nem 1,99 no mundo da arte?”

Daniel Toledo: Diante de pergunta tão auspiciosa, não me resta outra alternativa senão assinalar várias respostas. A primeira delas, certamente, mira em qualquer tipo de pensamento que encare a arte a partir de perspectivas exclusivistas e elitistas. Quanto mais misturado à vida cotidiana e mais acessível é um trabalho, mais ele me interessa; bons exemplos disso são os postais “Eu Amo Camelô”, feitos pelo coletivo carioca Opavivará em referência à proibição de vendedores ambulantes nas praias do Rio de Janeiro.

Seja por falta de erudição ou excesso de preocupação com a noção de interesse público, não pago nem R$1,99 por aquilo que se costuma se chamar de “arte pela arte”: há de haver, em cada trabalho, intenções, pretensões e discursos que independam de qualquer conhecimento sobre história da arte para serem fruidos – nesse balaio coloco admiráveis criações de artistas como Voina, Tom Sachs, Santiago Sierra e o corajoso Ai Weiwei, para citar apenas alguns.

Num mundo complexo e contraditório como o nosso, em um momento de clara mudança de paradigmas comportamentais, sociais, econômicos, políticos e por aí vai, eu pensaria duas ou três vezes antes de gastar R$1,99 com trabalhos artísticos chapa branca, que a ninguém inspiram, provocam ou incomodam, que vêm como mais do mesmo em vez de se adiantar em direção às urgentes reflexões e mudanças que claramente se fazem necessárias.

Como uma faísca crítica e bem-humorada dentro do pomposo cenário da arte contemporânea brasileira, o Leilão de Arte Piolho Nababo surgiu em maio de 2011, no Cabaré Cultural Nelson Bordello, a partir de uma proposta dos jovens artistas belo-horizontinos Froiid e Desali. Totalmente ligados à diversificada cena local de arte urbana, os dois conduziam, já há algum tempo, a Galeria Piolho Nababo, um espaço completamente independente onde artistas da cidade podiam deixar seus trabalhos para a livre apreciação do público, sem cobrança de taxas ou comissões.

Para dar vazão ao amplo acervo da galeria, eles conceberam aquele que talvez seja o primeiro e único leilão de arte com lance mínimo de R$1,99. Sabe-se lá porque, fui convidado a apresentar a primeira edição do evento, no qual os preços dos trabalhos não são definidos a partir de negociatas, tendências ou sobrenomes famosos, mas pela simples empatia despertada por cada obra entre o público presente – e crescente, incluindo, para nossa surpresa, até mesmo arquitetos e decoradores de Belo Horizonte.

Assim como na galeria Piolho Nababo, o leilão não tem qualquer tipo de curadoria: aos artistas participantes, cabe somente levar seus trabalhos e correr o risco de que o trabalho seja destruído caso ninguém se interesse por ele – a exemplo do que já aconteceu com o disco da banda Absinto Muito, uma das trilhas mais frequentes do evento, ao lado dos amigos do Ü.

De 2011 pra cá, oito edições do leilão foram realizadas em variados espaços da cidade, dentre os quais o nosso querido Nelson Bordello e a Quina Galeria, no Edifício Maletta. A nona edição aconteceu em frente ao Salão das Ilusões, em Fortaleza, e a décima acontecerá dia 06 de outubro, na Casa Vadia, uma edificação prestes a ser demolida, a exemplo de tantas outras na nossa cidade.

 

Uma pergunta só: Autoajuda do dia

Hoje eu começo no blog uma série de entrevistas chamada: entrevista de uma pergunta só. Inspirado no projeto de mesmo nome do designer Rafael Rozendaal (que em novembro dá um workshop no Brasil), fiz uma pergunta para alguns criadores que trabalham questões sobre a internet, a arte e o design em seus projetos autorais.

As primeiras entrevistadas são as meninas da Contente (empresa responsável pelo projeto Instamission, sucesso entre os instagramers brasileiros), Luiza Voll e Dani Arrais.

Recentemente, criei uma identidade visual para a mais nova empreitada da Contente: o Autoajuda do Dia, um projeto que reúne frases de motivação, daquelas que fazem a gente parar e pensar na vida — e quase sempre, se sentir melhor em relação a temas tão variados quanto amor, trabalho e vontade de jogar tudo pro alto. No Pinterest, todos são convidados a enviar posters com frases inspiradoras – no velho e bom português – para compôr o mural de autoajuda.

Aqui no blog, são elas que respondem a própria proposta do Autoajuda do Dia:

APAD: Qual o conselho de auto ajuda você gostaria de espalhar para o mundo?!
DaniArrais: Seja de verdade. Em tudo o que você faz.

Ando sensível demais esses tempos, atenta ao que importa e ao que não importa. E não sei se é porque a gente compartilha o tempo todo tudo o que a gente faz… Mas olho pros meus feeds em redes como o Facebook e o Instagram e desconfio da vida que muita gente diz levar.

Uma colega um dia falou uma frase que prontamente virou uma hashtag: #minhavidaéhorrível. Apropriada para uns dias, porque ninguém é de ferro. Aí com uns amigos, pensamos na hashtag oposta: #minhavidaéincrível, pra celebrar os momentos alegres e felizes.

Mas a impressão que eu tenho é que tem gente levando o espírito dessa hashtag a sério demais. Gente que criou sua própria coluna social e não dá espaço para nada além de celebrações constantes do que elas fizeram no sábado passado, hoje ao acordar.

Será que é legítimo? Espero que sim, mas desconfio que não. Ninguém pode ser feliz de verdade documentando todos os dias, durante os sete dias da semana, pedaços da vida sempre maravilhosa. Tem dia que a gente quer que o mundo se exploda, que ninguém fale com a gente etc.

Sei que a vida é edição. Na internet, principalmente. Mas essa edição vem acompanhada de uma bajulação constante, sabe?

Não basta compartilhar a vida incrível, tem muita gente que passa a vida achando todo mundo maravilhoso. Você nem tem intimidade com a pessoa e ela te trata como se você fosse um amigo de anos. Você faz qualquer coisa e ela te elogia. Parece que não existe muito espaço pra não gostar das coisas, pra dar aquele toque de amigo quando uma coisa que você fez não ficou tão boa assim.

Será que todo mundo está com medo de não ser amado? Será que todo mundo quer ser aceito 100%? Não sei. Mas sei que, cada vez mais, quero estar perto de quem não me causa esse tipo de estranheza, que não me faz parar por cinco segundos pra entender se a vibe é boa ou ruim.

Por isso, quero estar sempre perto de quem é de verdade em tudo o que faz, na alegria e na vontade de mandar tudo pra p*** que p****.

APAD: Qual o conselho de auto ajuda você gostaria de espalhar para o mundo?!
LuizaVoll: A melhor forma de reclamar é fazer as coisas de um jeito diferente.

Essa semana a Juliana Mundim, uma amiga da Contente, contou pra gente sobre o termo Normose.

Na Wikipedia > A normose pode ser definida como o conjunto de normas, conceitos, valores, estereótipos, hábitos de pensar ou agir, que são aprovados por consenso ou pela maioria em uma deteminada sociedade e que provocam sofrimento, doença e morte. Leia mais…

Quantos dos nossos amigos e conhecidos vivem situações que os fazem sofrer, levar uma vida mais difícil ou, no mínimo, reclamar bastante?

São relacionamentos falidos, trabalhos que esmagam a vida pessoal, horas passadas no trânsito, crises de autoestima e por aí vai. Quem é adulto vive ou ainda vai viver, invariavelmente, algum desses problemas. Mas acredito que a questão está em justamente em encarar esses problemas de frente.

A normose faz com que um amigo ache normal trabalhar 12 horas por dia, faz com que uma conhecida sinta que é ok passar horas no trânsito, faz com que outra acredite que ela não é linda por pesar alguns quilos a mais do que o ideal das revistas. Como tudo isso é normal e aceito na sociedade, o que os resta?

Reclamar. E só.

Esse conselho de autoajuda traz uma mistura de duas frases que amo e que sempre lembro quando estou reclamando demais: ”Be the change you want to see in the world”, do Gandhi, e ”The best way to complain is to make things”, do James Murphy.

Acha um absurdo fazer tantas horas extras no escritório? Seja então a pessoa que as 19h se levanta e vai pra casa. Não aguenta mais passar tantas horas no trânsito? Repense a forma como você se locomove.

Aceite o que você não consegue mudar e, se existir a mínima chance de modificar uma situação negativa na sua vida, agarre essa possibilidade. Mesmo que o resto da sociedade ache que é normal viver assim.

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