exposições

Não é uma pedra no rio, é o rio que passa

“Desde que eu e o Adriano Pedrosa [diretor artístico do Masp] fizemos a mostra “Histórias Mestiças” no ano passado, a gente já tinha clara uma questão, que era não chamar nada de arte popular, não usar essas classificações que limitam, rotulam e criam hierarquias. Pensando a partir da antropologia, essa atenção a várias culturas no plural é muito relevante. E a Lina é um exemplo, é pioneira dessa ideia. Ela faz mais do que resgatar uma cultura, porque quem pensa em resgate evoca uma cultura parada. Eu penso cultura como algo dinâmico, uma reelaboração, uma tradição, uma ressignificação, é um pouco nessa perspectiva. Não é uma pedra no rio, é o rio que passa. Adoraria representar esse retorno de uma filosofia da Lina. Não tenho essa veleidade, mas adoraria”

Parceria boa na curadoria do Masp, a antropóloga Lilia Schwarcz se une do diretor artístico do museu Adriano Pedrosa. Leia a entrevista completa aqui: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2015/08/1673863-num-brasil-nervoso-papel-do-museu-e-fundamental-diz-lilia-schwarcz.shtml?cmpid=compfb

 

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Bebel Abreu e o Universo Macanudo

Bebel é dessas pessoas que você conhece e acredita que o dia para ela só pode ter mais de 24 horas. Ela organiza, produz e faz a curadoria de vários trabalhos e exposições em São Paulo e pelo mundo. Sempre carregando a sua paixão pelos quadrinhos e desenhos. Depois de visitar a exposição Macanudismo, do cartunista argentino Liniers, sai encantada e tive de bater um papo com ela por aqui:


De onde vem a sua tara por quadrinhos e ilustração?
Eu adoro quadrinhos desde sempre (menos de superheróis), e me identificava muito com a Mônica quando criança, sempre achei que a gente tem que se defender de quem mexe com a gente, hehe. Falei isso com Mauricio de Sousa, que me deu a honra da visita à exposição Macanudismo.

Além de ser sócia da Mandacaru Design, você fundou a Bebel Books cujo lançamento “Suruba para Colorir” teve repercussão internacional.
Pois é, nas horas livres da Mandacaru eu criei a Bebel Books – a ideia era poder publicar meus livrinhos e também dar oportunidade para amigos talentosos publicarem os deles. Já são 33 títulos no catálogo, com a participação de mais de 40 artistas de vários países. Tem de tudo: fotografia, ilustração, caligrafia, quadrinhos – de temas que vão desde registros de viagens a pensamentos randômicos ou surubas para colorir, hahahaha! Acabei de lançar o Carnet Pornographico, com 42 lindas tiras eróticas no traço lindo do ilustrador gaúcho Fraga. Olha eu entrando no mercado pornô! Hahahahah

Vale a pena se aventurar no mercado editorial independente?
Claro que vale a pena. Sempre vale a pena se aventurar. É importante que as publicações se banquem, para termos fôlego para fazer as próximas, e não esquecer nunca que a ideia é se divertir. Vantagem: liberdade total.


O que você mais admira no trabalho de Liniers?
Eu admiro muitas coisas no trabalho dele. Graficamente vale falar dos letterings – tem milhões de tipos de letras! – e da maneira genial e diversa com que ele explora o espaço da tira – já ouvi de colegas quadrinistas que ele é o mestre nessa arte. Sob o aspecto da variedade de personagens, acho incrível como ele foi criando galáxias de personagens dentro do Universo Macanudo, em que cada uma serve pra expressar um estado de espírito, como Enriqueta e Fellini ou Martincito e Olga pra falar da infância, o Homem Misterioso para falar de coisas sem explicação, a série Conceptual Incompreensible que não precisa de explicações, os Duendes para falar de traquinagens, Olivério, a Azeitona, para falar de zumbis e ‘violência’ (por ser contra uma azeitona, não choca as pessoas, rs), e por aí vai… Ele tem um poder mágico de fazer as pessoas felizes depois de ter contato com o trabalho dele. Isso é mágico.

De onde surgiu a ideia da exposição?
Eu vi uma exposição retrospectiva de Liniers em Buenos Aires em 2009, e saí de lá tão leve e feliz que só pensava: Meus amigos têm que ver isso! O Brasil merece ver isso e sentir a alegria que eu senti! Com isso na cabeça aproveitei para convidá-lo a trazer a mostra ao Brasil enquanto pegava um autógrafo. Ele achou graça mas não acreditou muito no começo – deve receber mil convites assim – mas eu fui em frente e a edição paulistana já é a quarta aqui no Brasil, depois de Rio, Recife e Brasília. O acervo já foi visto por mais de 90mil pessoas e já é a exposição mais vista do Centro Cultural Correios São Paulo no meio do período em cartaz.

A exposição planeja viajar mais pelo Brasil? Quais os planos futuros de trabalho como curadora e produtora?
Deve ir ainda a outras cidades. Estamos prospectando. Eu gostaria de apresentar no Brasil o trabalho de Henning Wagenbreth e Alejandro Magallanes, dois ilustradores incríveis que tive o prazer de conhecer no AGI Congress, que a Mandacaru produziu em 2014. Como produtora tenho a alegria de anunciar a realização da conferência holandesa What Design Can Do em novembro, no Theatro Municipal de São Paulo. Somos sócios do projeto e vamos fazer dele uma conferência inesquecível.

Qual dica você daria para um designer que esteja buscando seguir profissionalmente o caminho da curadoria?
Siga seu coração e mostre aos outros as coisas que lhe encantam. É o que eu tento fazer =)

Só até 1 de setembro, no Centro Cultural Correios São Paulo. De terça a domingo, das 11h às 17h. Para saber mais: macanudismo.com.br

Dicas de Exposições do Andarilha

Em minhas andanças pelo projeto Andarilha, passo em exposições de arte, fotografia, moda, arquitetura, design. Algumas delas eu indico a visita pela hashtag #PassoAqui. É só seguir a gente lá no instagram (@_andarilha_) e acompanhar nossos passos ;]

Por aqui, compartilho algumas das dicas:

Ocupação Elomar: no itaú cultural, uma casa sertaneja é montada para contar a história do compositor, músico e arquiteto Elomar Figueira Mello. Até 23 de agosto. Mais informações aqui: www.itaucultural.org.br/programe-se/agenda/evento/ocupacao-elomar/

Bailes do Brasil: na Solar Marquesa de Santos  [Rua Roberto Simonsen, 136 – Sé], os curadores Jum Nakao e Ricardo Feldman transformam 6 salas em um verdadeiro baile. Como baile bom é baile cheio, foram selecionadas 230 fotos que mostram a relação dos nossos trajes com a ginga brasileira. Imperdível! Até 25 de outubro. Para saber mais, leia lá no Andarilha: projetoandarilha.com/bailesdobrasil

A experiência da arte: no Sesc Santo André, vale a visita. A exposição é um lugar de experimentar e é isso mesmo que o visitante (seja ele a criançada ou os adultos brincantes) é convidado a interagir e sentir obras de importantes artistas contemporâneos, como Vik Muniz, Ernesto Neto e Wlademir Dias- Pino. Para saber mais: www.sescsp.org.br

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Quem quiser indicar exposições também, é só usar #PassoAqui ou tagear nosso Instagram!

 

 

 

 

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