fotografia

5 mulheres para acompanhar os passos:

Quando digo que faço o Andarilha, muita gente acha que se trata de um projeto sobre viagens. Mas Andarilha é muito além de deslocamentos físicos, é sobre um estado de espírito em busca de autoconhecimento, sempre.

Em uma Semana Especial Andarilhas, entrevistamos 5 mulheres que provocam mudanças de seu lugar de ser e estar, às vezes colocando a mochila nas costas, outras somente se desafiando a conhecer um lugar que nunca tinham ocupado antes. O importante é a busca interna e o caminho é sempre a arte: de fotografar, de fazer documentários, de criar, de questionar e de dar voz.

Uma jovem artista que desloca seu corpo para dançar break e conhecer “Neguin”. Uma consagrada fotógrafa naturalizada brasileira caminha ainda por fora dos grandes centros do país em busca de inspiração. Uma fotojornalista se propõem viver sem endereço fixo, indo aonde a fotografia a leva. Uma documentarista itinerante busca se conhecer melhor através dos outros, viajando pelo mundo com uma câmera nas mãos. Uma pesquisadora cultural procura ocupar um lugar nunca antes visitado e, de onde menos se espera, ela fala sobre amor.

Cinco mulheres para acompanharmos os passos sempre:

“Eu continuo fotografando pelo desejo de compartilhar um pouco dessa vida pulsante, da vertigem que um encontro produz em mim [...] É sobre o desejo de ver o outro, o que pra mim implica em se deixar ver também. Alcançar e ser alcançado.”

Daniela Paoliello

 

Existe mesmo essa abertura de ir caminhando. Se por um lado existe uma fragilidade muito grande de ser uma mulher andando sozinha com uma quantidade visível de equipamento/dinheiro; por outro, essa fragilidade eu sinto que pode ser um trunfo”.

Eliza Capai

 

“São desses encontros que eu acredito que vão florescer novos fotógrafos. O bom é estar acontecendo tudo isso fora dos grandes centros. Isso atrai pessoas, pessoas de todo o tipo, pessoas fora do comum.É muito interessante pensar sobre essa descentralização da produção cultural no Brasil!”

Maureen Bisilliat

 

“Finalmente, estou em paz porque entendi que não é todo mundo que nasce pra seguir durante uma vida a profissão que escolheu quando adolescente; não é todo mundo que nasce para se aposentar como celetista; não é todo mundo que nasce pra casar e ter filhos. Eu nasci pra viver em movimento”.

Marizilda Cruppe

 

“Poder mostrar prostitutas através de seus “estados e amor”, não mudou só a minha vida, foi a forma que consegui expressar este ponto de vista contemporâneo dos desejos e sensibilidades femininos”.

Maria Carmencita Job

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Why people photograph? – Lana Mesic

For a while now, I’ve wanted to interview the artist Lana Mesic about her work and her experience in Brazil. Until one day, when I was reading “Why people photograph?” from Robert Adams, I had the idea of doing a serie of interviews with young photographers asking why do they photograph? I am really glad to start it with Lana:

A: You were born in Croatia and live in Netherlands. How do these places influence you as a photographer?

L: I really feel Croatia influenced my imagination and fascinations. It is a place where I draw endless visual and narrative references. Even when the subject matter has (seemingly) nothing to do with Croatia I see how I can trace everything back to it. I first opened my eyes there, that has to mean something! Historical and socio-political situations but also old folk takes, belief in magic and superstition, even the color palette all influenced my visual vocabulary.

In The Netherlands I received my formal training as a photographer. And this helped me to give context to the images I was making. I could place them in a proper discourse and find platforms on which they would be best suited to. The Netherlands is a very fertile ground for photographers. There is much support for us in many ways, shapes and forms and for this I am very grateful.

A: How was your experience at FAAP Residency in Brazil? Can you tell us a little about the work developed “Invisible City”?

L: FAAP was a beautiful, magic but also crazy experience for me. I expected to get some support from the organization, but none was provided and this was a difficulty since I didn’t speak any Portuguese! I had a studio and living space in downtown Sao Paulo and the doormen told me not to go out after 8 PM. Which I off course didn’t listen to. I remember walking down Viaduto de Cha past midnight and feeling absolutely unbreakable. I owned it. Naturally some experiments I wanted to try out simply weren’t possible and I had to adjust my whole approach. However, considering I wanted to use this time to experiment with totally different methodological approaches it worked out. I was forced to do something different, there was no turning back!

The project is largely inspired by the book of Italo Calvino “The Invisible City” in which Marco Polo describes a city to Kublai Khan. In my project I take the role of Marco Polo and describe Sao Paulo to my Kublai. The main question I raised was: is it possible to find a version of paradise in this megalomaniac of a city? And why do we always look for paradise somewhere far, never “here”? This is the crux of the project. Sao Paulo is crazy like this, it will break you down and build you up.. There is a quote (I have no idea whose it is…) that goes something like:

São Paulo is like that – gigantic, immeasurable. A metropolis that never stops. Even if it would stall for only one minute, its immensity wouldn’t let me feel the whole. It is the city that keeps seducing me, and although I try, its constant mutation does not allow me to decipher it.”

My discovery was that the invisible city is not out there but that I was the invisible city. The connections made and broken. Next to photographs I also drew a giant drawing for the period of the residency. I never worked on a drawing for 3 months and it turned out to be a kind of visual map of my inner process. As my knowledge of the city grew so did this drawing. You can see how my inner state reflects in it. At times it was a confronting process but I’m glad with the result. In November I will show this work for the first time and I’m very excited about this.

A: I am completely in love with your work “Anatomy of Forgiveness”. As a documentary photographer, why recreate a moment of forgiveness between perpetrators and their victims in Rwanda?

L: All of my work deals with this human desire to visualize the invisible. I am captivated by things that have no image. For me there is a certain magic in this. Pure alchemicy, creating gold out of rock so to say.

Forgiveness is also a largely invisible process and yet it is a reality. For me it is very exciting to investigate this with photography, it pushes the boundary of the medium and it raises a question “What is documentary” anyway!? Is there such thing as an objective narrative or is all documentary inherently subjective, staged?

By recreating these moments I am showing something that once has happened…which is (according to Roland Barthes) one of the central definitions of photography. At the same time the viewer is aware that these are re-created. It isn’t pretending to be something and I think that it is this subtlety that makes it work.

Next to this, the project aims to question our Western views upon Africa. These moments of forgiveness don’t look “happy” to us. There are no Panam smiles. And yet, they are real. The interview with the couples confirm this. So who are we to judge and question the sincerity of their forgiveness just because to us it doesn’t look this way??

A: I am reading the book “Why people photograph?” from Robert Adams, so I would like to know: Why do you photograph?

L: The answer is already hidden in the previous answers…It is to look for the hidden, magical, unworldly and mysterious… Someone once told me that there is no meaning OF life, there is only meaning IN life. Photography for me is a visual search of meaning in life. It is a way to dig deeper in the epidermis of the sub consciousness. It is an alibi and ticket to places one perhaps otherwise would never go to. And by this I don’t necessarily mean physical places.

But also, to be honest it is just a medium, a tool, a meaning to an end. It is a box that records light. Perhaps for a future project I will ditch it for a pen or a piece of granite. Anything is possible, but for now it is a tool I love to work with and explore its taciturn charms.

To know more Lana Mesic: lanamesic.com. All photos rights by Lana Mesic. Thanks, Fábio Nascimento.

 

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Dicas de Exposições do Andarilha

Em minhas andanças pelo projeto Andarilha, passo em exposições de arte, fotografia, moda, arquitetura, design. Algumas delas eu indico a visita pela hashtag #PassoAqui. É só seguir a gente lá no instagram (@_andarilha_) e acompanhar nossos passos ;]

Por aqui, compartilho algumas das dicas:

Ocupação Elomar: no itaú cultural, uma casa sertaneja é montada para contar a história do compositor, músico e arquiteto Elomar Figueira Mello. Até 23 de agosto. Mais informações aqui: www.itaucultural.org.br/programe-se/agenda/evento/ocupacao-elomar/

Bailes do Brasil: na Solar Marquesa de Santos  [Rua Roberto Simonsen, 136 – Sé], os curadores Jum Nakao e Ricardo Feldman transformam 6 salas em um verdadeiro baile. Como baile bom é baile cheio, foram selecionadas 230 fotos que mostram a relação dos nossos trajes com a ginga brasileira. Imperdível! Até 25 de outubro. Para saber mais, leia lá no Andarilha: projetoandarilha.com/bailesdobrasil

A experiência da arte: no Sesc Santo André, vale a visita. A exposição é um lugar de experimentar e é isso mesmo que o visitante (seja ele a criançada ou os adultos brincantes) é convidado a interagir e sentir obras de importantes artistas contemporâneos, como Vik Muniz, Ernesto Neto e Wlademir Dias- Pino. Para saber mais: www.sescsp.org.br

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Quem quiser indicar exposições também, é só usar #PassoAqui ou tagear nosso Instagram!

 

 

 

 

“Largou as Botas e Mergulhou no Céu”

Antes de embarcarem na viagem de alguns meses pelo nordeste filmando o documentário “Largou as Botas e Mergulhou no Céu”, Bruno Graziano, Paulo Silva Jr., Raoni Gruber e Cauê Gruber fizeram uma série de entrevistas em busca de compreender um pouco mais sobre a tal “identidade brasileira” – ou seria, “entidade brasileira”?

A websérie “Tão Longe, Tão Perto” conta com 10 episódios interessantes sobre a construção do pensamento do que é ser brasileiro para profissionais como cineastas, poetas, fotógrafos, historiadores e até uma cozinheira de mão cheia! Cinco entrevistas por aqui e muito mais lá no youtube do Espaço Húmus. E ainda tem muita estrada pela frente nos próximos meses, só seguir lá no facebook do “Largou as Botas e Mergulhou no Céu”.

Crescida naquelas fazendas onde as coisas brotam e já são colocadas no prato, Mara Salles abriu seu primeiro restaurante com sua mãe, servindo almoço em Perdizes. Depois, nascia o Tordesilhas, seu restaurante e projeto de intervenção e investigação da culinária brasileira. Trabalhar com nossa culinária só poderia ser uma investigação bastante afetiva, que exige pés com a pele bem firme para cruzar as enormes distâncias, para viajar as fronteiras não geográficas mas, também, as de sabor que enchem as panelas Brasil afora.

De início, o entrevistado o africanista e historiador Salloma Salomão já reitera não acreditar numa noção de identidade brasileira, pelo menos, não como é apresentada, criação fabulosa de uma elite intelectual muito próxima das rodas de poder que massacram e reprimem as comunidades.

Para se falar uma história de identidade, é preciso um resgate profundos nos maiores confins, porque a história foi escrita porque quem tem costume de ocultar. É uma história plenamente aceita, como se tudo fosse terminar no branco, num mundo eurocêntrico que orbita em torno de si mesmo e classifica tudo que está na borda como exótico. Salloma insiste na necessidade de cavucar nas raízes do intelectual negro, das comunidades negras e seus levantes artísticos.

Carlos Ebert é fotógrafo e diretor de cinema. Foi participante ativo do Cinema Marginal e diretor de fotografia do filme “O Bandido da Luz Vermelha”, de Rogério Sganzerla. A câmera de Ebert é sobre o deslocamento de um bandido que é idiota mas também brilhante, e acaba também sendo sobre o deslocamento de um novo fazer cinematográfico, que olha determinado para o próprio umbigo.

O segundo vídeo da série Tão Longe, Tão Perto pega sem medo a mão do poeta inquieto. Marcelino fala sobre um Brasil dos improvisos e da ternura, dos gritos que não podem e nem querem ser contidos, e do legado de teimosia e de inconformismo de sua escrita. Porque sem poesia teimosa, a vida é uma rua comprida com todas as luzes queimadas, e um cão com sarna que nela vagueia.

A socióloga, cineasta e curadora Isa Grinspum Ferraz, que serpentou e aprendeu por aí com Darcy Ribeiro, é clara: por trás de toda essa mitologia mestiça do Brasil, existe uma dura e complexa realidade. Ela recosta na cadeira, cita poetas políticos que inserem o povo brasileiro como protagonista da história. Ela própria versou quando contou a história de seu tio, Marighella, no documentário homônimo de 2011.

Molly Evans e Lionel Richie <3

Molly Evans é uma artista que borda letras de músicas do cantor Lionel Richie em móveis velhos descartados nas ruas. Vi lá no facebook da Juliana Cunha.

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12POSES #2 por Pedro Fonseca

JULHO, edição#02, tema:
Calma, pressa.

Foram poucos dias entre Paris e Londres. Entre contemplar e seguir adiante. Entre ter tempo e precisar dele. Entre sentar e andar. Entre ver o rio que passa e passar pelo rio que vejo. Entre degustar e beber. Entre jardins e tubos subterrâneos. Entre o passado conservado e o futuro visível. Entre esperar um pouco mais e clicar imediamente. Entre revelar e salvar. Entre editar e deixar como está. Entre digital e analógico. Paris, en passant. London, in a hurry. O segundo 12poses conta com 12 imagens que me transportam para onde acabei de chegar –mas ainda permaneço.

PARA VER O SEGUNDO ENSAIO DOS 12 POSES, CLIQUE AQUI

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12 POSES #1 por Pedro Fonseca

Meu nome é Pedro Fonseca e não tenho direito a muitas palavras aqui. Explico.
Ana Luiza me fez este convite irrecusável:
– Quer ser colaborador do A Pattern a Day?
Em seguida, a mesma voz mineira (doce) me deu esse susto:
– Mas não pode ser nada com textos. Só fotos.

Depois da risada (minha) notei que a conversa era séria (dela).
Topei o desafio. Mais porque sou teimoso do que por ser fotógrafo. Aliás, isso não sou.

[O projeto 12poses nasceu assim, do convite para ser colaborador, da maluquice da Ana Luiza em pedir que eu não escrevesse, mas sim fotografasse. Funcionará assim: a cada mês, 12 cliques feitos por mim, sobre algum tema específico que irei escolher. Espero que gostem.]

JUNHO, edição#01, tema:
Grandes achados na internet
(ou: os fins justificam o meio)

Muita gente pinta a internet como vilã. Que nos isola, nos afasta dos outros, nos desumaniza. Discordo veementemente. A internet é apenas aquilo que fazemos dela. O nosso uso diz o que ela nos dará. Por causa dela, conheci e reencontrei muita gente foda. O primeiro 12poses conta com 12 pessoas que fazem parte desse meu universo de (re)descobrimento: Clara Reynaldo, Fernanda Cabral, Fernando Weno, Julia Rebouças, Luciana Martinez, Manuela Alcoforado, Mariana Caldas, Mariana Campanatti, Marina Goulart, Mark Cardoso, Olivia Yassudo, Tatiana Palladino. A eles, meu muito obrigado. Por toparem o ensaio. Por aceitarem minha solicitação de amizade na vida real.

PARA VER O PRIMEIRO ENSAIO DOS 12 POSES, CLIQUE AQUI

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Para um jovem de brilhante futuro, Carlos Zilio

“A partir de obras de artistas como Carlos Zilio, o potencial político da arte passou a ser associado com a subversão de códigos e regras. O artista problematizou a pintura, aplicando-lhe objetos variados ou até mesmo negando sua natureza bidimensional, a fim de demonstrar que ela não estava perpetuamente condenada a ser fixada em paredes. Com isso, contribuiu para a afirmação da arte como território de articulação de ideias, não necessariamente restrito à denúncia explícita da realidade. Sua busca incessante por novos suportes artísticos justificava-se como reação ao contexto da ditadura militar, orientava-se para a realidade do país, contra a exploração da mão de obra, o amordaçamento e a supressão das vozes dos inimigos do regime. Aparentada com a linguagem de fotonovela, a série fotográfica Para um jovem de brilhante futuro é uma das realizações mais irônicas do artista. A maleta “007”, símbolo de quem naquela altura ingressava no mercado de trabalho sem outras preocupações que não os altos salários, é metáfora de uma armadilha. Seu recheio de pregos, organizados com o rigor de um batalhão, é uma denúncia imprevista, uma advertência para os perigos contidos nos sonhos dos jovens alienados”. [via]

 

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Para-si por Santana Dardot

O San foi meu primeiro chefe, foi ele quem me deixou ainda mais apaixonada pela arte, pela fotografia e pelo design. Eu não me esqueço dos desenhos que ele fazia para dar de presente aos amigos. Um olhar sensível que agora foca na fotografia. Exposição imperdível, em Belo Horizonte:

Para-si
(s.m., inventado): artefato de canalização da energia trocada entre seres e objetos [um "para-raio" de si].
Fotografias de Santana Dardot

O olhar como um início. Em cenas cotidianas, a vida de protagonistas, coadjuvantes e do narrador se dependem, conflituam e trasmitem — como a energia de objetos e pensamentos capturados e aproximados pelo alcance da lente — estórias que ultrapassam o limite do instante. Sem a marca de um impulso original e sem passado (a não ser o transmitido no presente), transformam, criam e tornam-se espontaneamente um futuro não revelado.

A exposição abre no dia 27 de Março, às 19h e pode ser visitada até o dia 21 de abril, no Restaurante 2013 (R. Levindo Lopes, 158 – Savassi – Belo Horizonte).

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