ilustração

Bebel Abreu e o Universo Macanudo

Bebel é dessas pessoas que você conhece e acredita que o dia para ela só pode ter mais de 24 horas. Ela organiza, produz e faz a curadoria de vários trabalhos e exposições em São Paulo e pelo mundo. Sempre carregando a sua paixão pelos quadrinhos e desenhos. Depois de visitar a exposição Macanudismo, do cartunista argentino Liniers, sai encantada e tive de bater um papo com ela por aqui:


De onde vem a sua tara por quadrinhos e ilustração?
Eu adoro quadrinhos desde sempre (menos de superheróis), e me identificava muito com a Mônica quando criança, sempre achei que a gente tem que se defender de quem mexe com a gente, hehe. Falei isso com Mauricio de Sousa, que me deu a honra da visita à exposição Macanudismo.

Além de ser sócia da Mandacaru Design, você fundou a Bebel Books cujo lançamento “Suruba para Colorir” teve repercussão internacional.
Pois é, nas horas livres da Mandacaru eu criei a Bebel Books – a ideia era poder publicar meus livrinhos e também dar oportunidade para amigos talentosos publicarem os deles. Já são 33 títulos no catálogo, com a participação de mais de 40 artistas de vários países. Tem de tudo: fotografia, ilustração, caligrafia, quadrinhos – de temas que vão desde registros de viagens a pensamentos randômicos ou surubas para colorir, hahahaha! Acabei de lançar o Carnet Pornographico, com 42 lindas tiras eróticas no traço lindo do ilustrador gaúcho Fraga. Olha eu entrando no mercado pornô! Hahahahah

Vale a pena se aventurar no mercado editorial independente?
Claro que vale a pena. Sempre vale a pena se aventurar. É importante que as publicações se banquem, para termos fôlego para fazer as próximas, e não esquecer nunca que a ideia é se divertir. Vantagem: liberdade total.


O que você mais admira no trabalho de Liniers?
Eu admiro muitas coisas no trabalho dele. Graficamente vale falar dos letterings – tem milhões de tipos de letras! – e da maneira genial e diversa com que ele explora o espaço da tira – já ouvi de colegas quadrinistas que ele é o mestre nessa arte. Sob o aspecto da variedade de personagens, acho incrível como ele foi criando galáxias de personagens dentro do Universo Macanudo, em que cada uma serve pra expressar um estado de espírito, como Enriqueta e Fellini ou Martincito e Olga pra falar da infância, o Homem Misterioso para falar de coisas sem explicação, a série Conceptual Incompreensible que não precisa de explicações, os Duendes para falar de traquinagens, Olivério, a Azeitona, para falar de zumbis e ‘violência’ (por ser contra uma azeitona, não choca as pessoas, rs), e por aí vai… Ele tem um poder mágico de fazer as pessoas felizes depois de ter contato com o trabalho dele. Isso é mágico.

De onde surgiu a ideia da exposição?
Eu vi uma exposição retrospectiva de Liniers em Buenos Aires em 2009, e saí de lá tão leve e feliz que só pensava: Meus amigos têm que ver isso! O Brasil merece ver isso e sentir a alegria que eu senti! Com isso na cabeça aproveitei para convidá-lo a trazer a mostra ao Brasil enquanto pegava um autógrafo. Ele achou graça mas não acreditou muito no começo – deve receber mil convites assim – mas eu fui em frente e a edição paulistana já é a quarta aqui no Brasil, depois de Rio, Recife e Brasília. O acervo já foi visto por mais de 90mil pessoas e já é a exposição mais vista do Centro Cultural Correios São Paulo no meio do período em cartaz.

A exposição planeja viajar mais pelo Brasil? Quais os planos futuros de trabalho como curadora e produtora?
Deve ir ainda a outras cidades. Estamos prospectando. Eu gostaria de apresentar no Brasil o trabalho de Henning Wagenbreth e Alejandro Magallanes, dois ilustradores incríveis que tive o prazer de conhecer no AGI Congress, que a Mandacaru produziu em 2014. Como produtora tenho a alegria de anunciar a realização da conferência holandesa What Design Can Do em novembro, no Theatro Municipal de São Paulo. Somos sócios do projeto e vamos fazer dele uma conferência inesquecível.

Qual dica você daria para um designer que esteja buscando seguir profissionalmente o caminho da curadoria?
Siga seu coração e mostre aos outros as coisas que lhe encantam. É o que eu tento fazer =)

Só até 1 de setembro, no Centro Cultural Correios São Paulo. De terça a domingo, das 11h às 17h. Para saber mais: macanudismo.com.br

8ª edição da Feira Tijuana de Arte Impressa

Acontece nesse final de semana, dias 8 e 9 de agosto, a Feira Tijuana na Casa do Povo em São Paulo. Idealizada pela Galeria Vermelho, a Feira Tijuana de Arte Impressa, teve sua primeira edição em 2009, a partir de uma parceria com o Centre National de L’Édition et de L’Art Imprimé (CNEAI, França). Um espaço fértil de apresentação, distribuição e comercialização de publicações, livros de artista, gravuras, pôsteres que conta com a participação de editoras nacionais e estrangeiras. Destaque para Carmen Araujo Arte Ediciones (Caracas), editora que organiza o Encuentro de Ediciones y Libros de Artistas e que participa da Feira pela primeira vez. A artista Selma Maria, que entrevistei lá no Andarilha, também estará na Feira com seus objetos poéticos! Bora lá?

8ª edição da Feira Tijuana de Arte Impressa @ Casa do Povo
Data: 8 e 9 de agosto de 2015, das 12h às 20h
Endereço: Rua Três Rios, 252, Bom Retiro, São Paulo
Entrada livre e gratuita
Para mais informações, acesse: www.casadopovo.org.br

Celaine Refosco e a valorização da técnica

Conheci a designer e pesquisadora Celaine Refosco quando fui assistente de curadoria da Adélia Borges. Celaine é uma das criativas do Estúdio Orbitato, localizado em Pomerode, no interior de Santa Catarina.

Além dos desenhos, criações e coleções, a Orbitato também é um lugar de estudo. O que me chamou atenção é que vários dos cursos ofertados unem ótimos criadores aos melhores técnicos da área de estamparia.

Técnica, essa palavra que me parece tão deixada de lado nos últimos tempos, está sendo cada dia mais retomada. Quando contamos aqui histórias de designers e pessoas criativas que buscam cada vez mais inspiração nas técnicas antigas ou voltam à fazer à mão, é esse movimento que observamos. Um retorno à valorização da técnica no processo criativo é o que muitos estão apostando. Para Celaine e seu estúdio Orbitato, isso sempre foi importante. É o que ela conta para gente em entrevista:

De onde surgiu a sua paixão pela estamparia?
Antes de mais nada, me encanta o esforço que as pessoas fazem em favor da beleza. Tudo poderia ser mais liso, monocromático, simples, sem textura, mas as pessoas gostam, em todas as culturas, dos padrões, das cores, da condição de se comunicar através das suas vestes de seus objetos. Me fascina este esforço. A decoração representa um esforço, pra mim isso é um traço de humanidade. Mesmo quando precisamos baratear qualquer coisa, fazemos gambiarras, mas não abrimos mão de umas bolinhas e florzinhas.

A Orbitato reside em Pomerode, no interior de Santa Catarina. Como essa morada influencia no seu trabalho e na sua criação?
Eu sou catarinense. Esse lugar é de belezas múltiplas, como todo o Brasil. Tem a serra do mar, as montanhas, o mar logo ali, bananeiras e orquídeas. E tem esse fenômeno da imigração, com jardins e hortas. Aqui em Pomerode pode-se ver em um lado da rua uma fábrica imensa e do outro um rebanho de vacas. Isso é impressionante. Eu pinto e desenho de uma maneira pouco usual atualmente, gosto de representar, e represento o que eu vejo. Quando mudei pra Pomerode pintei muitos jardins. Agora, ando pintando céus. Sim, influencia.

Como nasceu a Orbitato? Como surgiu a ideia de desenvolver os cursos?
Eu desenhei desde sempre e estudei artes plásticas, pintura. E sempre fui muito desincentivada a fazer isso. As pessoas me cobravam uma responsabilidade que só tinha lugar na segurança de um concurso público. Bati o pé e fiz o que o coração mandava. Depois, já dentro da indústria, percebi que pessoas criativas são super necessárias. Descobri que há lugar e mais que isso, há muita necessidade de gente criativa no mundo. Mas ser criativo é um lado da história. é preciso ter conhecimento técnico também. Só há um jeito de se aliar criatividade com indústria, e é através da técnica. Saber como fazer potencializa a criatividade. Quis construir um lugar onde se ensinasse como fazer para que as pessoas pudessem ficar livres para criar.

Qual dica você daria a um designer que deseja se especializar em estamparia?
Que saia da mesa, do computador e vá pra perto da máquina. Que não subestime uma técnica em favor da outra, tudo pode construir beleza. E que por fim, saiba qual beleza ele quer construir, afinal, todas são possíveis. Mesmo que ele trabalhe sob orientação, é pelo traço dele que ele será valorizado.

Para saber mais sobre a Orbitato: www.orbitato.com.br
Para fazer os cursos: cursos.orbitato.com.br
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Fotos: divulgação

Zica Bérgami

Ela é mais conhecida por seus prêmios como compositora, mas Zica Bérgami é dos traços mais belos da arte brasileira. Da série: artistas que gostaria de ter conhecido para o Projeto Andarilha.

 

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Exposição Fuga ou Desculpa do Yorka

No dia 08 de agosto às 19h acontece em Curitiba a exposição do Leonardo Ceccatto, mais conhecido como Yorka. Conheci o Leo ano passado e fiquei feliz ao ver um menino tão novo, ainda não tinha nem prestado faculdade ainda, ocupando o ateliê do tio e as ruas da cidade. Vai longe, Yorka!

Na casa do lado (2137) do antigo Atelier SOMA (Atelier SOMA Rua Brigadeiro Franco, 2119, Curitiba). Clique para o evento no Facebook.

Da Coragem ao Amor: Sinestesia

Quando se passa por um período muito difícil, desses que vêm como uma grande avalanche que remexe todos os ossos do nosso corpo e que, às vezes, parece levar a alma junto: reinventa-se.

Tudo começou em 2011 quando, entre muitas noites de insônia, ouvi de uma amiga: “desenhe Ana, volte a rabiscar, coloque no papel os sentimentos”. Coloquei. Achei que seria assim, traço. Mas veio em forma de outras linhas. Tudo misturado. Sentimentos com cores. Palavras com imagens. Sentidos atravessados. Sinestesia. Foi assim que chamei essa primeira série de textos que comecei ali e termino dia 14 de fevereiro, num último texto publicado no livro chamado AMOR, a convite da querida Fabi, editora do Confeitaria.

 

Como deveria de ser, faltou o rabisco que minha amiga sugeriu para completar a história. E minhas palavras ganharam o melhor traço, o dele. Fica aqui o meu, o nosso convite, para o lançamento do livro AMOR Pequenas Estórias, na Casa Prólogo, na rua Bahia, 1282,  em higienópolis, SP, no dia 14/02/2014, a partir das 19h. E uma lista de todos os textos da série, para quem ainda não leu <3

CEGUEIRA
LEVEZA
UTOPIA
DESPEDIDA
MEMÓRIA
ENAMORAR
SEGREDO
DOR
CONTROLE
CORAGEM

A QUATRO PÉS

Por Ana Luiza Pereira.

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My mum is an airplane by Yulya Aronova

Precioso <3 [via]

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Illustrated Guides

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Felicidário

Felicidário é dos projetos mais lindos que se inicia em 2013:

Se é difícil definir a felicidade aos 20, aos 30 e aos 40, imaginem aos 60 ou aos 70. Foi por isso que nasceu o Felicidário. O Felicidário é um calendário e também é uma espécie de dicionário com 365 definições práticas de felicidade. Aos 65, a felicidade é arrumar as botas e fazer crochet, é gozar o dolce fare niente ou fazer aquilo que nunca se fez? Todos os dias, durante um ano, o Felicidário sugere uma nova ideia de felicidade para maiores de 65 anos.

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