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Celaine Refosco e a valorização da técnica

Conheci a designer e pesquisadora Celaine Refosco quando fui assistente de curadoria da Adélia Borges. Celaine é uma das criativas do Estúdio Orbitato, localizado em Pomerode, no interior de Santa Catarina.

Além dos desenhos, criações e coleções, a Orbitato também é um lugar de estudo. O que me chamou atenção é que vários dos cursos ofertados unem ótimos criadores aos melhores técnicos da área de estamparia.

Técnica, essa palavra que me parece tão deixada de lado nos últimos tempos, está sendo cada dia mais retomada. Quando contamos aqui histórias de designers e pessoas criativas que buscam cada vez mais inspiração nas técnicas antigas ou voltam à fazer à mão, é esse movimento que observamos. Um retorno à valorização da técnica no processo criativo é o que muitos estão apostando. Para Celaine e seu estúdio Orbitato, isso sempre foi importante. É o que ela conta para gente em entrevista:

De onde surgiu a sua paixão pela estamparia?
Antes de mais nada, me encanta o esforço que as pessoas fazem em favor da beleza. Tudo poderia ser mais liso, monocromático, simples, sem textura, mas as pessoas gostam, em todas as culturas, dos padrões, das cores, da condição de se comunicar através das suas vestes de seus objetos. Me fascina este esforço. A decoração representa um esforço, pra mim isso é um traço de humanidade. Mesmo quando precisamos baratear qualquer coisa, fazemos gambiarras, mas não abrimos mão de umas bolinhas e florzinhas.

A Orbitato reside em Pomerode, no interior de Santa Catarina. Como essa morada influencia no seu trabalho e na sua criação?
Eu sou catarinense. Esse lugar é de belezas múltiplas, como todo o Brasil. Tem a serra do mar, as montanhas, o mar logo ali, bananeiras e orquídeas. E tem esse fenômeno da imigração, com jardins e hortas. Aqui em Pomerode pode-se ver em um lado da rua uma fábrica imensa e do outro um rebanho de vacas. Isso é impressionante. Eu pinto e desenho de uma maneira pouco usual atualmente, gosto de representar, e represento o que eu vejo. Quando mudei pra Pomerode pintei muitos jardins. Agora, ando pintando céus. Sim, influencia.

Como nasceu a Orbitato? Como surgiu a ideia de desenvolver os cursos?
Eu desenhei desde sempre e estudei artes plásticas, pintura. E sempre fui muito desincentivada a fazer isso. As pessoas me cobravam uma responsabilidade que só tinha lugar na segurança de um concurso público. Bati o pé e fiz o que o coração mandava. Depois, já dentro da indústria, percebi que pessoas criativas são super necessárias. Descobri que há lugar e mais que isso, há muita necessidade de gente criativa no mundo. Mas ser criativo é um lado da história. é preciso ter conhecimento técnico também. Só há um jeito de se aliar criatividade com indústria, e é através da técnica. Saber como fazer potencializa a criatividade. Quis construir um lugar onde se ensinasse como fazer para que as pessoas pudessem ficar livres para criar.

Qual dica você daria a um designer que deseja se especializar em estamparia?
Que saia da mesa, do computador e vá pra perto da máquina. Que não subestime uma técnica em favor da outra, tudo pode construir beleza. E que por fim, saiba qual beleza ele quer construir, afinal, todas são possíveis. Mesmo que ele trabalhe sob orientação, é pelo traço dele que ele será valorizado.

Para saber mais sobre a Orbitato: www.orbitato.com.br
Para fazer os cursos: cursos.orbitato.com.br
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Fotos: divulgação

Criança, pise a grama!

O Piseagrama faz reflexões sobre o espaço público e é conhecido por, na época das campanhas eleitorais em Belo Horizonte, criar tapumes com dizeres como “ônibus sem catraca”, “uma praça por bairro” sugestões de possíveis propostas de candidatos para a cidade, colocando-os ao lado dos cavaletes com fotos e números dos políticos. Uma crítica à forma como escolhemos nossos governantes que virou moda em sacolinhas que perambulam pela cidade e incitam diálogos para quem passa e vê. “Como assim carros fora do centro?” já ouvi de uma senhora que perguntou à uma amiga que andava com uma sacola pendurada no braço.

Para um projeto de financiamento coletivo, o Piseagrama decidiu incluir as crianças nestas propostas. E criou camisetas com os dizeres “Goiaba e Pitanga na calçada”, “Velotrol na Avenida”, “Roda gigante sem catraca” e “um balanço por árvore”. Eu ainda sugeriria mais uma camiseta: “criança, pise a grama”!

Marcelo Zocchio – Marcenaria quiari

 

Marcelo Zocchio constrói com madeira casa de passarinho, mesa de estudar, tábua de cortar, carrinho de empurrar, banquinhos de sentar. Com as pontas do que sobra da madeira, ele cria carrinhos para brincar. Estou apaixonada pelo que sobra. E pelo brincar.

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O desenho, enfim, com todos e para todos

Em 2013 eu tive a oportunidade de sair um pouco do circuito de design pelas agências. Fui resgatar minha paixão pela arte, entrevistei artistas e curadores, flertei com a antropologia, vi vários documentários e me apaixonei novamente pela fotografia e pelo cinema brasileiro. O design virou minha ferramenta de trabalho e não mais a principal fonte de estudo e pesquisa.

Até que recebi um convite: trabalhar para a Bienal Brasileira de Design. Volto a olhar a palavra, que já começava a soar estrangeira – o design, ou também, o desenho. Para minha surpresa, muda-se um pouco o ângulo, não basta apenas inclinar a cabeça, é necessário mesmo girar o corpo todo.

É um convite para se sentar não apenas na cadeira assinada, mas no banco comunitário da praça. Vamos compartilhar lugares públicos com todos, do idoso à criança, do gordo magro, do baixo ao alto. Um convite a olhar uma outra etiqueta das peças: a do preço. Vamos investigar a acessibilidade também econômica de um bem de consumo. Não só. Convidemos a todos a pensar o uso cotidiano de cada produto criado para melhorar a qualidade de vida de quem os consome.

“Design for Social Change”, “Inclusive Design”, “Open Design”, “Accessible Design”, “Design for the Other 90 per Cent”, “Design for All”. Tantos conceitos para tentar tatear o que parece importante: o desenho para ser inclusivo e não exclusivo; o desenho que é acessível e não inatingível; o desenho que é para todos e com todos – para melhorar nossas vidas.

Observo atentamente as bicicletas compartilhadas, os parklets nas ruas movimentadas, os livros para crianças em fase de alfabetização também em braille e a sinalização de espaços públicos, por exemplo. E sorrio a cada projeto, feito por estudantes pelo Brasil, que ainda vai encontrar a industria para sugerir essa mudança de olhar.

Se você participou/conhece projetos de design implementados dentro dessa proposta curatorial, envie-o para o bbd.curadoria@gmail.com. Não esqueça de falar o nome do projeto e o estado onde foi criado e produzido.

As fotos que ilustram esse post são do projeto Sinalização Noite Branca do Parque, de Ricardo Portilho e Fernando Maculan para a Fundação Clóvis Salgado em Belo Horizonte, em 2012.

Painéis por Neute-Chvaicer

Apaixonada:

Os painéis que construímos se assemelham aos painéis encontrados em lojas de material elétrico, que servem para expor as lâmpadas. Lembram as caixas de luz que temos em nossas casas, embutidas na parede, e que comandam o circuito elétrico da casa. Se parecem também com os desenhos de anatomia dos livros de medicina, com seus esquemas e suas vísceras de cores irreais. São máquinas feitas para iluminar, que exibem as marcas da sua construção, mas, ao mesmo tempo, se distanciam do design funcionalista.

Nós usamos os materiais industriais que podemos encontrar nas lojas, que já vem embutidos com a técnica. Um simples parafuso, por exemplo, é um manual de instruções dele mesmo. Construímos nossas luminárias aprendendo com os materiais e com as ferramentas, que são uma fonte inesgotável de trabalho. O processo produtivo dos painéis é manual, demorado e perdulário. Nós experimentamos e aprendemos pequenas coisas construindo cada objeto, por isso não repetimos, fazemos peças únicas.

O que queremos fazer não é mais que imitar as ferramentas e objetos que usamos toda a vida e aprendemos que são bons. Mas os bons objetos têm neles mais coisas do que se sabe, ou do que se pode planejar. Uma casa não é feita só de paredes e teto. Sim, o objeto construído é arquitetura. Entretanto, e mais do que tudo, o uso – como construção das pessoas que habitam a casa – é que faz a arquitetura.

Nas instalações elétricas de uma casa temos muitas vezes uma relação distante com a iluminação. Ligamos o interruptor na parede ao lado da porta e raramente paramos para pensar em como é essa luz artificial que usamos. Uma luz que vem pela lateral é completamente diferente de uma luz que vem de cima, que é totalmente diferente de uma luz que é rebatida em uma superfície ou que ilumina os objetos diretamente. A maneira como se ilumina é um fator fundamental na construção do espaço.

Nos painéis, a pessoa tem uma relação direta com a lâmpada, que se mostra como elemento principal do objeto. Assim, o painel muda com a escolha das lâmpadas. Não há como ter um painel na sala e não prestar atenção em que tipo de lâmpada se está usando para iluminar o que quer que seja. Na hora de apertar o botão já se impõe uma escolha. Indica que você pode se apropriar da arquitetura. 

Rafael Chvaicer e Ana Neute

 

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Playground Infinito por Mesa&Cadeira#5

Pré – projeto Playground Infinito from mesa&cadeira on Vimeo.

Esse blog apoia e acredita no projeto Mesa&Cadeira. O último workshop foi liderado pelo arquiteto e designer Marko Brajovik e uma equipe de 12 profissionais para realizar um projeto incrível e CONCRETO: criar um playground para uma creche de 100 crianças na Favela do Moinho. O resultado é uma proposta inovadora e que pode ser aplicada em outras creches. Se tudo isso já não basta para você querer apoiar esse projeto, existem várias outras contrapartidas irresistíveis, entre elas objetos do coletivo Amor de Madre, posters do Anthony Burrill feitos na mesa&cadeira#2 e até uns contatos da super Bárbara Soalheiro! Corre lá e participe ;]

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DIY Quote Coat Hanger




No clima do Autoajuda do Dia, ta aí um faça você mesmo para as meninas ao escolher a roupa do dia: personalizar os cabides com frases inspiradoras!

Kits de presente de última hora

Apareceu um aniversário de última hora e tá sem idéia do que comprar para presentear?! Confira esse link cheio de kits de presente de última hora feitos com muita criatividade e super úteis!

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Pour Porter

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