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“É o novo”

Campanha “É o novo” da DM9DDB para a revista Follow.

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I WISH THIS WAS

Depois do furacão Katrina, a cidade de New Orleans ficou carente de muitas lojas que existiam ali e que nunca retornaram seu funcionamento. Candy, uma moradora da cidade, criou esses stickers escritos “Eu queria que isto aqui fosse____” para colar na porta dessas antigas lojas, com o intuito de que as pessoas escrevessem o que elas sentem falta em New Orleans.

Quando vi este projeto incrível, que hoje já acontece em outras cidades, fiquei pensando como queria criar stickers assim e colar na frente de tantas construções novas nas cidades brasileiras. Eu escreveria: “Eu queria que isto aqui fosse um parque público”, ou “Eu queria que isto fosse um espaço cultural”. Inspirador!

Jan Chipchase: Design anthropology

Jan Chipchase é o chefe do departamento de pesquisa da Frog Design. Talvez, a pessoa que todo designer apaixonado por pesquisa e antropologia gostaria de ser. Dica da querida Carol Hoffman.

Outros valores, além do frenesi de consumo

Sigo Diário de Classe há algum tempo e, como muitos, admiro a iniciativa da Isadora Faber ao relatar a realidade das escolas públicas e da educação brasileira através de um exemplo, o seu. É um misto de revolta e tristeza acompanhar como os próprios membros da escola se voltam contra a ação de Isadora – que já resultou em boas reformas físicas na escola – ao invés de abraçá-la como uma oportundiade de ter voz e fazer  REAIS mudanças na educação. Lendo essa entrevista com o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, dica da Milena Galli, achei importante ecoar alguns pensamentos dele sobre educação. Em época de Copa e Olimpíadas, esta deveria ser A pauta no Brasil:


Pesquisador e professor de antropologia do Museu Nacional (UFRJ) e sócio fundador do Instituto Socioambiental (ISA), Viveiros insiste em que só pela educação avançaremos rumo a uma sociedade mais democrática. “A falta de educação é o nó cego responsável por esse conservadorismo reacionário de boa parte da população”, diz ele. Vai além: arrisca dizer que haveria uma conspiração para impedir os brasileiros de ter acesso a educação ou conexão de à internet de qualidade – conquistas que permitiriam ampliar o acesso a produtos e bens culturais. [via]

“Falar, resistir, insistir, olhar por cima do imediato – e, evidentemente, educar. Mas não “educar o povo”, como se a elite fosse muito educada e devêssemos (e pudéssemos) trazer o povo para um nível superior; mas sim criar as condições para que o povo se eduque e acabe educando a elite, quem sabe até livrando-se dela. A paisagem educacional do Brasil de hoje é a de uma terra devastada, um deserto. E não vejo nenhuma iniciativa consistente para tentar cultivar esse deserto. Pelo contrário: chego a ter pesadelos conspiratórios de que não interessa ao projeto de poder em curso modificar realmente a paisagem educacional do Brasil: domesticar a força de trabalho, se é que é isso mesmo que se está sinceramente tentando (ou planejando), não é de forma alguma a mesma coisa que educar.

Isto é só um pesadelo, decerto: não é assim, não pode ser assim, espero que não seja assim. Mas fato é que não se vê uma iniciativa de modificar a situação. Vê-se é a inauguração bombástica de dezenas de universidades sem a mínima infra-estrutura física (para não falar de boas bibliotecas, luxo quase impensável no Brasil), enquanto o ensino fundamental e médio permanecem grotescamente inadequados, com seus professores recebendo uma miséria, com as greves de docentes universitários reprimidas como se eles fossem bandidos. A “falta” de instrução — que é uma forma muito particular e perversa de instrução imposta de cima para baixo — é talvez o principal fator responsável pelo conservadorismo reacionário de boa parte da sociedade brasileira. Em suma, é urgente uma reforma radical na educação brasileira.

[...]

Começaria por baixo, é lógico, no ensino fundamental – que continua entregue às moscas. O ensino público teria de ter uma política unificada, voltada para uma – com perdão da expressão – “revolução cultural”. Não adianta redistribuir renda (ou melhor, aumentar a quantidade de migalhas que caem da mesa cada vez mais farta dos ricos) apenas para comprar televisão e ficar vendo o BBB e porcarias do mesmo quilate, se não redistribuímos cultura, educação, ciência e sabedoria; se não damos ao povo condições de criar cultura em lugar de apenas consumir aquela produzida “para” ele. Está havendo uma melhora do nível de vida dos mais pobres, e talvez também da velha classe média – melhora que vai durar o tempo que a China continuar comprando do Brasil e não tiver acabado de comprar a África. Apesar dessa melhora no chamado nível de vida, não vejo melhora na qualidade efetiva de vida, da vida cultural ou espiritual, se me permitem a palavra arcaica. Ao contrário. Mas será que é preciso mesmo destruir as forças vivas, naturais e culturais, do povo, ou melhor, dos povos brasileiros para construir uma sociedade economicamente mais justa? Duvido.

{Leia a entrevista inteira aqui, vale a pena!}

Abrace a complexidade, Brasil

Esse ano o blog não teve Posts de Férias. E eu senti muita falta de chamar pessoas incríveis para postar por aqui. Um dos encontros bons de 2012 foi conhecer a Mayra, pesquisadora que, entre um café e outro, perde o fio da meada da conversa por estar observando muito atentamente algum comportamento próximo e analisando tudinho em sua cabeça. Mayra é quem posta por aqui hoje, sobre esse Brasil com S.

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Obra “eu desejo seu desejo” de Rivane Neuenschwander, no New Museum.

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Acabei de escrever um e-mail longo para uma cliente que começava com um pedido de desculpas pelo transtorno que ia causar ao responder: “o que vi em campo não cabe nas planilhas que você me pede para preencher”. Posso prever o e-mail que receberei em retorno, mas aprendi a importância de respostas sinceras como esta há 6 anos, quando decidi estudar antropologia e entender as possibilidades de aplicação da etnografia para investigação de comportamento.

Aprendemos a pensar os produtos a partir da lógica da fábrica, de um modelo cartesiano moldado pela engenharia de produção. E, depois, tentamos encaixar as pessoas nessa lógica. Vejo como o principal desafio de qualquer interessado em cultura e comportamento: assumir a complexidade das pessoas como o início de um raciocínio de análise ou de identificação de oportunidades.

E mais: acredito que essa noção de complexidade deva ser poderosamente explorada sobre o Brasil. E confesso que torço especialmente para que isso aconteça.

Primeiro porque, sabemos, o espírito de um tempo traz questionamentos sobre os manifestos do anterior. E passamos as últimas décadas buscando aproximação, em técnica e linguagem, dos povos considerados economicamente mais desenvolvidos. Algo já conseguimos. Somos rápidos e eficazes em redes e incorporação de linguagens e isso acelera esse processo.

Há pouco tempo fui a um evento de lançamento de uma rede de criativos na área externa de um museu em São Paulo. Fiquei pensando como aquele evento – em seu mais alto nível de produção – poderia ter acontecido em vários museus ao redor do mundo. Conseguimos atrair investimentos e talentos e, certamente, São Paulo é hoje uma das cidades mais interessantes do mundo para quem quer estar conectado.

Vejo muito mérito nisso. Mas, já que superamos o nosso desafio de fixar bandeira no foursquare, penso que, agora, nossa nova ruptura passa por encarar e assumir o que somos: um povo complexo que buscou características marcantes, mas consensuais (alegria, criatividade, adaptação), como uma forma de se auto-explicar para o mundo.

Entendendo mais sobre a nossa complexa diversidade cultural, podemos encontrar inspiração para apresentar soluções de sustentabilidade, mobilidade, modelos de relacionamentos e outras questões críticas atuais.

Acho que se os brasileiros inovadores voltarem-se para o que ainda não exploramos (o próprio Brasil), nossa presença nas redes de influência terá mais relevância pois traremos assuntos que não são apresentados em qualquer galeria de arte ou estação de metrô de megalópoles. Num futuro próximo, eu gostaria de ver profissionais saindo das zonas de conforto que são as categorias de análise e os reducionismos sobre o Brasil.

Por ora, posso dizer que essas mudanças são desejos meus. Mas, sei que um grupo de pessoas também gostaria de abraçar a complexidade por trás desses dois pontos . Então, quem sabe, não é?  Afinal, é só a partir das ideias diferentes de um grupo, que o mundo muda.

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A Pattern a Day no Grupo Tom de Estudos

Na próxima terça-feira, dia 25 de setembro, falo sobre curadoria de conteúdo no Grupo Tom de Estudos, uma iniciativa super bacana da TomComunicação + Sapien. Para se inscrever, basta enviar um email para: grupodeestudos@tomcomunicacao.com.br

Aguardo todos lá!

1 Comentário | Categoria(s): tendências, web

We all wanna be old

Quanto mais os anos passam – e olha, eles passam muito rápido quando você percebe que fará 30 – mais eu torço o nariz para essa ideia da vida ser uma eterna juventude. Depois de morar num prédio com moradores entre os seus 60 e 90 anos, aprendi muito mais com eles do que com os únicos jovens – que só fazem barulho no primeiro andar. Entre o respeito e a cordialidade; aquela do “bom dia” dito olho no olho, do “posso te ajudar?” seguido de ação e não só fala, do “por favor” e “obrigado”; acordar ao som do melhor da música clássica ao piano todos os sábados e ter aulas de culinária com a bisavó mais querida que já conheci são algumas das mais preciosas memórias que vou guardar para vida.

É por isso que hoje, quando vi esse projeto chamado The Amazings, quase morri! Uma plataforma colaborativa que reúne pessoas acima de seus 50 anos (os amazings, ou, incríveis, como eles chamam) que querem ensinar algo para novas gerações. “Tente algo antigo, aprenda algo novo” é o lema do projeto. Que, aliás, deveria ser o novo lema da vida: we all wanna be old :] [via]

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Benetton – Unemployed of The Year

A Benetton volta com uma boa iniciativa de projeto e um excelente conteúdo para divulgá-lo. O filme abaixo retrata o cotidiano de quatro jovens que buscam emprego diariamente,sem sucesso, e também divulga o concurso “Unemployee of the Year”, para o qual jovens desempregados do mundo inteiro podem mandar seus projetos de trabalho e de vida para concorrer a 100 patrocínios de 5.000 mil euros cada um. A iniciativa é parte da Unhate Foundation, fundação/conceito criada pela marca com o objetivo de diminuir as discórdias mundanas por meio de projetos como esse. [via]

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Nuno Ramos

Hoje, passeando pela exposição do Nuno Ramos na Celma Albuquerque, me lembrei do nostalgico projeto do novelista Jeremiah Moss chamado Dreams of Vanishing NY. O novaiorquino escreve em seu blog sobre uma cidade que está aos poucos desaparecendo. A memória de sua vida na cidade parece desfalecer aos poucos, a cada nova construção. O mesmo acontece em Belo Horizonte, em São Paulo…casas antigas e importantes sendo demolidas. A praça em que você brincava, não existe mais. A padaria da esquina virou um shopping. E assim me parece que as imagens da minha memória se transformam em um sonho, de uma cidade que já foi.

 

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A inovação está em fazer o bem

Imagine que você não tinha muito, começou investindo num negócio que dava dinheiro, passou uns perrengues aqui e ali, arriscou muito, mas deu retorno. Depois, deu mais que um simples retorno, deu muito lucro. O seu negócio foi crescendo e você foi ficando assim, digamos, bem rico. Vai ver esse negócio lucrativo até surgiu de uma paixão sua, mas hoje, quando você dorme – quando consegue – não se lembra muito bem que sonho era aquele. E, claro, qual era o sentido daquilo tudo mesmo? Deve ter sido juntar um dinheiro para ter família, comprar um apartamento bom, ou mesmo ser um cara de sucesso. Mas hoje, você deve passar menos tempo com sua família do que gostaria, o apartamento bom deve ter ficado pequeno para suas coisas e você provavelmente se acha um cara de sucesso – sucesso em que mesmo?!

Agora imagine que você é uma mãe de família. Baita profissão, baita responsabilidade. Você se casou com aquele que seria o excelente pai para os seus filhos. Investiu tudo na educação deles, criou, cuidou, gastou uma cota generosa de paciência, fez os deveres de casa do lado, passou pelas crises e foi braço direito de todos eles. Você provavelmente teve uma carreira, investiu nela, fazendo sacrifícios aqui e ali para conciliar tudo. Mas ai, um belo dia, os filhos foram todos para fora de casa. Foram estudar, se casaram, foram viver as oportunidades com o máximo de bagagem que você tentou dar. E você, finalmente, se aposentou. E foi ai que você se perguntou: e agora?

Do empresário bem sucedido à aposentada, me parece que sempre há um momento da vida em que nos encontramos nessa encruzilhada, à procura de um sentido real para nossas ações. Sentido que se perde entre as contas para pagar, entre os prazos e as cobranças. Vai ver é por isso que agora o novo imperativo é amar o que você faz, ser feliz. E você já viu alguém que não fique totalmente feliz ao fazer o bem?!

Seja para tornar as ações das empresas em melhorias sociais. Seja para fazer micro revoluções e transformar a sua escola. Seja para, sim, tentar mudar o mundo juntos, através de plataformas colaborativas. Fico feliz ao conhecer mais e mais empresas investindo em consultorias de pesquisa e estratégia neste caminho. Fazer o bem virou a única ferramenta de negócio em que você e eu colocamos fé.


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