My mum is an airplane by Yulya Aronova

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Entrevista com Kenneth Goldsmith

Eu sou fã do UBUWEB e aposto que você também. Uma ótima entrevista sobre o seu criador, o poeta Kenneth Goldsmith:

“Se os seus livros são muito mais objetos para serem discutidos, e não lidos, seu campo de atuação tem implicações mais práticas e imediatas. Em 1996, o poeta americano Kenneth Goldsmith criou o cultuado site UbuWeb, um vasto banco de dados virtual em que estão disponíveis raras obras de artistas de vanguarda, entre filmes, músicas, imagens etc. Uma espécie de YouTube das artes em geral.

Valor: Em algumas entrevistas o senhor não elabora novas respostas — algumas vezes percebe-se um processo de “copiar e colar”. Este é apenas seu modo de trabalho (a noção de “remix”) ou uma espécie de crítica ao jornalismo e às perguntas repetitivas e não-criativas? Devo apenas “copiar e colar” suas respostas de entrevistas anteriores ou devo realmente entrevistá-lo?

Kenneth Goldsmith: Sou entrevistado tão frequentemente e me perguntam sempre as mesmas questões que eu não tenho nada de novo para dizer. Então apenas “corto e colo” respostas anteriores. Mas tudo é novo tanto para as pessoas que fazem as perguntas quanto para os leitores dessas respostas. A internet nos tornou conscientes do quão grande é o mundo, uma ideia diametralmente oposta ao conceito “McLuhaniano” de aldeia global [referência ao teórico da comunicação canadense Marshall McLuhan (1911-1980)]. Não importa quantas vezes falemos as mesmas coisas, sempre parece haver alguém ouvindo aquilo pela primeira vez. Como resultado, nossas vozes singulares — aquela subjetividade sobre a qual toda a literatura é baseada —, na perspectiva global, são uma falácia. Como resposta, estamos procurando novos modos de escrita, que usam textos já existentes, que decidem usar as vozes de outros e tomar como próprias, repetindo o processo “ad infinitum” e refletindo a sala de espelhos digital que é a internet. Me parece uma maneira particularmente contemporânea de ser um escritor.

VALOR: “Originalidade” e “criatividade” são conceitos superestimados, ilusórios? Por que damos tanta importância a esses valores?

Goldsmith: Agora vou “cortar e colar”, já que me perguntaram sobre essas questões inúmeras vezes. Tendo trabalhado na publicidade por muitos anos como “diretor criativo”, posso te dizer que, a despeito do que especialistas da cultura dizem, criatividade — como ela tem sido definida pela nossa cultura e seu interminável desfile de livros, memórias e filmes repletos de fórmulas — é algo para ser evitado, não apenas como elemento da “classe criativa”, mas também como elemento da “classe artística”. Vivendo numa época em que a tecnologia está transformando as regras do jogo em todos os aspectos de nossas vidas, é momento de questionar e derrubar tais clichês, colocá-los no chão, em frente a nós, para então reconstruir essas brasas apagadas para que sejam algo novo, algo contemporâneo, algo — finalmente — relevante.

Valor: O senhor se considera um herdeiro de Andy Warhol [artista plástico] e John Cage [músico], mas no campo da poesia? Falando em referências: o senhor se sente conectado a John Baldessasri [artista] e Georges Perec [escritor], que trabalharam com conceitos de reapropriação e repetições? O que tem feito essas ideias novamente relevantes e contemporâneas?

Goldsmith: Tanto Warhol quanto Cage (e Duchamp) previram a maneira como poderíamos nos envolver com a linguagem na era digital. Cada um deles entendeu que toda informação — palavras, imagens, sons etc. — contém em si mesma uma bagagem (humana) intelectual e emocional em que não é necessário adicionar nada novo à ela. Ambos trabalharam por uma arte sem ego, uma arte em que o artista trabalha com diferentes informações preexistentes para criar um novo conteúdo. Mas o erro é achar que é necessário um único ego para criar tais paradigmas, portanto essa é a razão pela qual são considerados gigantes da arte do século XX. No século XX, muitos artistas que quiseram matar a arte frequentemente acabaram idolatrados em museus. Eu os vejo como figuras quase religiosas, com museus substituindo o papel de igrejas. Warhol e Cage ofereceram — e continuam oferecendo — liberdades intelectuais e filosóficas, que é o motivo pelo qual continuam relevantes. Não acho que podemos falar de Baldessari e de Perec na mesma frase. Ambos são gigantes ao seu modo, mas seus trabalhos me tocam de maneiras muito diferentes. Dos dois, diria que Perec e [o grupo literário francês] OuLiPo permanecem mais relevantes na era digital devido aos seus engajamentos com sistemas e números. Ideias “Oulipianas” se transferem elegantemente ao espaço digital. Por mais que eu adore Baldessari, não vejo muito futuro nele; mas, de novo, não vejo muito futuro para as artes plásticas — pinturas e esculturas únicas — num mundo onde o valor é concedido pela quantidade e disponibilidade em oposição a um objeto único. Infelizmente, hoje, o mundo da arte se parece com um mercado de antiguidades, vendendo objetos únicos para uma clientela minúscula que pode sustentar tais luxos. Está se tornando cada vez mais irrelevante. Em breve vamos até esquecer que essa arte já existiu.

Valor: Vivemos numa era de impulsos arquivísticos. Há uma grande quantidade de aplicativos para smartphones e aparelhos que permitem aos usuários terem controle sobre suas ações (quantidade de calorias ingeridas, horas de sono dormidas, contagem de passos dados etc.). Quais são os efeitos dessa tendência a longa prazo?

Goldsmith: Tanto Duchamp quanto Erik Satie preconizavam o desejo de viver sem memória, o que me soa como uma noção muito ligada ao século XX; talvez o desejo de viver sem memória seja uma maneira de responder às perguntas de Adorno sobre poesia após Auschwitz. É bem diferente hoje, quando nada é “não-relembrado” e tudo existe em websites e linhas do tempo eternamente. Existe um serviço aqui nos EUA em que você paga um preço elevado para ter coisas removidas da internet. Quando tais vastos bancos de dados de material intelectual existem, os melhores artistas são aqueles que conseguem fazer uma nova moldura, que conseguem retuitar e reblogar aquele material da forma mais atrativa possível. O trabalho do escritor agora é filtrar o conteúdo já existente — nossa memória coletiva —, em vez de criar algo novo. Fazendo isso, eles estão criando algo muito novo (a ideia de remix).

Valor:  A cada dia nós temos mais e mais livros sendo escritos e lançados. Para algumas pessoas, escrever é um objetivo, uma maneira de dar sentido à vida. O que gera e mantém a necessidade humana de livros (além da indústria)?

Goldsmith: Minha geração fez grandes afirmações de que no futuro uma coisa iria substituir outra. Nós pensávamos que a internet iria tornar os livros obsoletos. Em retrospecto, vejo como éramos tolos. Hoje, uma mídia não substitui outra; ela complementa outra. Crianças hoje não pensam duas vezes sobre pintura a óleo e fazer vídeos no YouTube. Eles ouvem tanto MP3 quanto vinil. Elas entendem que diferentes mídias têm diferentes texturas e são úteis em variar situações de maneiras diferentes“.

[Entrevista na íntegra aqui]

Dica da Júlia Mesquita

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Somos todos artistas

Em 2011, fiz um curso chamado “Introdução a Curadoria em Arte Contemporânea”. Visitando desde os mais famosos museus às menores galerias, encontrei com artistas e curadores revoltados com os Cortes aos Financiamentos Artisticos na Inglaterra, fruto da recente crise econômica mundial. Eu, que entendo muito pouco como tudo funcionam as distribuições de impostos por lá, achei interessante que a repercussão destes cortes levantou uma bola ainda maior: a do trabalho imaterial.

Foi em um livro chamado Are you working too hard? (Você está trabalhando muito?) que descobri o tal trabalho dematerializado. Eu, que me pegava nas horas de “lazer” – entre um teatro e uma exposição – pensando numa solução para um projeto a ser entregue na segunda feira, compreendi perfeitamente o que era viver no pós fordismo industrial:

“O pós-fordismo anulou ou complicou a correlação entre o tempo marxista tradicional do trabalho e o grau de exploração do trabalhador. Como o trabalho é desmaterializado e a divisão do trabalho na produção industrial corroída, o capital não só ocupa as horas de trabalho durante o qual os produtos ou bens (e sua mais-valia) são produzidos, ele absorve todo o tempo do trabalhador, bem como sua existência, pensamentos e desejos criativos. Produtos ou mercadorias são produzidas não para ser consumido, para serem engolidos diretamente, mas como um conjunto de novos modos de comunicação, conhecimento, línguas, ou mesmo mundos”. [http://www.e-flux.com/journal/towards-the-space-of-the-general-on-labor-beyond-materiality-and-immateriality/]

Se o trabalho imaterial transformou a criatividade e a linguagem em ofertas econômicas, o valor das horas trabalhadas, ou mesmo o valor do trabalho, sofre uma revisão. Se antes, as horas ditavam o lucro e a sua capacidade produtiva mecânica o seu salário; hoje esta relação tempo e dinheiro possui outra equação.

Nem é preciso ser economista para comprender na prática esta matemática. Não foi por acaso que eu encontrei esta temática num livro sobre arte contemporânea. Os artistas e aqueles que trabalham com a cultura sabem muito bem o quanto difícil é lidar com a valorização de seu trabalho. A arte é, para o artista, uma extensão de suas vidas e o prolongamento de suas subjetividades e questionamentos a respeito do mundo. Se há algo a aprendermos com a arte hoje é que, neste sentido, somos todos “artistas” em nossos empregos: devemos fazer do nosso trabalho diário, nossa vida.

Se através de um estudo sobre a arte e o trabalho imaterial, podemos compreender melhor a sociedade hoje e até um novo modelo econômico, consigo entender melhor a revolta dos curadores gringos nos Cortes aos Financiamentos Artisticos em 2011. O quanto a valorização da arte e da cultura é necessária, não só lá, como aqui. E isto me fez entender melhor o real patrimônio de Paraty, muito além da sua história.

A cidade é palco da renomada FLIP (feira de literatura internacional), do Paraty em Foco ( festival internacional de fotografia), da Virada Digital e de um Carnaval com o curioso Bloco da Lama. Paraty é arte. Paraty é cultura. E esse valor é para todos – do tamanho do Brasil.

Foto: Margareth Atwood lê sua obra prima em Paraty, por Bruno Torturra
Texto publicado originalmente no O Brasil com S – semana Paraty

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Para um jovem de brilhante futuro, Carlos Zilio

“A partir de obras de artistas como Carlos Zilio, o potencial político da arte passou a ser associado com a subversão de códigos e regras. O artista problematizou a pintura, aplicando-lhe objetos variados ou até mesmo negando sua natureza bidimensional, a fim de demonstrar que ela não estava perpetuamente condenada a ser fixada em paredes. Com isso, contribuiu para a afirmação da arte como território de articulação de ideias, não necessariamente restrito à denúncia explícita da realidade. Sua busca incessante por novos suportes artísticos justificava-se como reação ao contexto da ditadura militar, orientava-se para a realidade do país, contra a exploração da mão de obra, o amordaçamento e a supressão das vozes dos inimigos do regime. Aparentada com a linguagem de fotonovela, a série fotográfica Para um jovem de brilhante futuro é uma das realizações mais irônicas do artista. A maleta “007”, símbolo de quem naquela altura ingressava no mercado de trabalho sem outras preocupações que não os altos salários, é metáfora de uma armadilha. Seu recheio de pregos, organizados com o rigor de um batalhão, é uma denúncia imprevista, uma advertência para os perigos contidos nos sonhos dos jovens alienados”. [via]

 

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Casa de Vidro, Lina Bo Bardi

Neste final de semana, realizei um sonho: conhecer a Casa de Vidro, da arquiteta Lina Bo Bardi. [Parte da exposição O interior está no exterior]

A Casa de Vidro é um marco da arquitetura de São Paulo, construído por Lina Bo Bardi, em 1951 para a residência do casal. O jardim da casa, em um terreno de 7.000 m2, no Morumbi, é raro exemplo de conservação da mata brasileira.É na Casa de Vidro que hoje funciona o Instituto Lina Bo e P.M. Bardi, criado em 1990, por uma decisão pessoal de Bardi, com o apoio de Lina. O acervo pessoal, reunido pelo casal ao longo de sua vida, foi doado para o Instituto, com o objetivo de promover, pesquisar e divulgar os campos da arte e da arquitetura no Brasil. É constituído de obras de arte, móveis, documentos, objetos, cerca de 7.500 desenhos de Lina e 17.000 fotografias, além do arquivo pessoal de ambos, significativos para a cultura do Brasil.

Este acervo dos Bardi transcende o aspecto pessoal, pois carrega o raro testemunho de dedicação e generosidade para com o povo brasileiro, o interesse genuíno para as características da nossa cultura, favorecendo a memória de uma fase importante da nossa história. 

Tombada pelo CONDEPHAAT em 1987, e mais tarde também pelo IPHAN, como patrimônio histórico, a casa tornou-se um ponto de visita obrigatório para arquitetos internacionais e fonte de pesquisa para estudiosos. O Instituto promove exposições, encontros, palestras, visitas, publicações e vídeos.

O INTERIOR ESTÁ NO EXTERIOR
QUANDO ter. a dom., 11h às 17h (últimas senhas entregues até as 16h); até 30/5
ONDE Casa de Vidro (r. Gal. Almério de Moura, 200, tel. 011-3744-9902)

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Mermonte

E outro novo vício, Mermonte <3

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Metá Metá

Completamente apaixonada pelo som de Metá Metá <3

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Para-si por Santana Dardot

O San foi meu primeiro chefe, foi ele quem me deixou ainda mais apaixonada pela arte, pela fotografia e pelo design. Eu não me esqueço dos desenhos que ele fazia para dar de presente aos amigos. Um olhar sensível que agora foca na fotografia. Exposição imperdível, em Belo Horizonte:

Para-si
(s.m., inventado): artefato de canalização da energia trocada entre seres e objetos [um "para-raio" de si].
Fotografias de Santana Dardot

O olhar como um início. Em cenas cotidianas, a vida de protagonistas, coadjuvantes e do narrador se dependem, conflituam e trasmitem — como a energia de objetos e pensamentos capturados e aproximados pelo alcance da lente — estórias que ultrapassam o limite do instante. Sem a marca de um impulso original e sem passado (a não ser o transmitido no presente), transformam, criam e tornam-se espontaneamente um futuro não revelado.

A exposição abre no dia 27 de Março, às 19h e pode ser visitada até o dia 21 de abril, no Restaurante 2013 (R. Levindo Lopes, 158 – Savassi – Belo Horizonte).

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RYAN ROCHE

[via]

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