Série de Entrevistas para canal de Cultura&Arte Online [2014, Espaço Húmus]: curadoria e produção de conteúdo / content curator and producer

Alice no país de Yayoi Kusama

Quando eu soube que uma exposição sobre o maior nome da arte contemporânea japonesa viria ao Brasil, enlouqueci – que nem criança! Acompanhei a trajetória das longas filas até chegar aqui, em São Paulo. E tive de cobrí-la, mas de que forma? Pensamos na velha entrevista com curadores, tentamos uma aproximação com a galeria que a representa no Japão, mas foi me lembrando de onde eu me apaixonei por Yayoi pela primeira vez, que surgiu a ideia!

“Eu, Kusama, sou uma Alice no País das Maravilhas moderna” escreveu a artista no final do livro Alice no País das Maravilhas ilustrado por ela e editado pela Penguin (relançado pela Editora Globo). Um livro que se engole. E te devora. Foi pensando nessa leitura de Kusama, como a Alice de seu país fantástico de bolinhas, que convidei uma pequena e espevitada Alice para nos acompanhar pela exposição para vê-la pelos seus olhos – de criança.

Eu já tinha lido alguns casos de Alice, através dos olhos do pai. Então, fomos munidas de fitas coloridas para ela escolher sua cor favorita e colar a camera no seu capacete. O gravador ficou sob a responsabilidade do Yoda, seu companheiro-mochila. Fui logo coroada a rainha das cores com rolos coloridos na minha cabeça. E depois de alguns minutos, sua mãozinha já agarrou à minha e fomos juntas, ver a exposição.

Criança se entedia rápido e capacete com uma câmera na cabeça enche o saco. Mas Alice não queria nem pensar em sair de algumas salas. “Eu estou dentro de uma obra de arte?” interrogou à mãe. E confessou que quer ser artista para poder fazer um quarto cheio de luzinhas e um chão de água. Perguntou se é de verdade o cenário, se o papel laminado são de ovos de páscoa e se o quarto branco com bolinhas adesivas é uma festa!

Ver uma exposição pelos olhos do outro é uma viagem. Ver a obra de Yayoi é viajar. “Foi aberta a toca do Coelho”, disse Cecilia, nossa escrevedora do Espaço Húmus, e pulamos de cabeça. O tempo nos leva para outra dimensão, outro lugar. “Somos todos loucos aqui!”.

Video: Amália Coccia